Giovani Ferreira
De Curitiba
O Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar) decidiu entrar com uma ação popular pedindo a anulação dos contratos de concessão das rodovias no Paraná. A nova ofensiva do setor de transporte é uma retaliação ao acordo firmado entre o governo e as concessionárias do Anel de Integração, que definiram um reajuste das tarifas de pedágio na ordem de 76% para os caminhões e 116% para ou automóveis e demais categoria de usuários.
Endossada ainda pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Federação das Transportadoras do Paraná (Fetranspar), a ação deve ser protocolada nos próximos dias. Em uma reunião que acontece amanhã os representantes dessas entidades estarão definindo os detalhes do processo. De acordo com o presidente do Setcepar, Rui Cichella, o objeto da ação será sustentado com vários documentos que denunciam irregularidades e inconstitucionalidades dos contratos.
Cichella criticou o governador Jaime Lerner (PFL), entendendo que o acordo foi definido à revelia do setor de transportes. Apesar de o governo ter garantido que o sindicato participaria das discussões, Cichella lamenta que isso não tenha acontecido e que os transportadores tenham ficado afastados das definições. A Folha não conseguiu, no final da tarde de ontem, contatar nenhum representante do governo para comentar sobre as críticas.
Desta vez a ação judicial não estará questionando o reajuste da tarifa, mas sim pedindo o fim do contrato. Segundo Cichella, os transportadores não têm outra alternativa, uma vez que foram ignorados pelo governo durante as negociações que estabeleceram o acordo entre as partes. O Setcepar ainda espera o julgamento de um agravo regimental, que tramita no Tribunal Regional Federal (TRF), onde pede à Justiça o reconhecimento da entidade como parte interessada no processo movido pelo governo contra as concessionárias, por conta do reajuste das tarifas.
Na avaliação de Cichella, o aumento de 76% irá comprometer o transporte de cargas no Paraná, tendo um reflexo negativo principalmente na agricultura do Estado. ‘‘Vamos lutar de todas as formas possíveis’’, disse o sindicalista, alegando que um reajuste suportável pelo setor seria de no máximo 30%.
Apesar de o acordo estar praticamente fechado e prestes a ser anunciado, Cichella ainda faz um último apelo ao governador, pedindo que Lerner tenha sensibilidade com os problemas que o transporte irá enfrentar com o reajuste de 76%. A importância do segmento de transporte para a economia paranaense pode ser avaliado pelo número de caminhões registrados no Estado, que hoje passa de 300 mil.
Os detalhes do acordo entre o governo e as concessionárias devem ser divulgados entre hoje a amanhã pelo governador Jaime Lerner. O reajuste linear das tarifas, determinado pela Justiça, entrará em vigor na próxima segunda-feira, garante Carlos Alberto Felizola, da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias.

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