Ação tem práticas similares às do MST
São Paulo, 25 (AE) - A ação coordenada da União dos Movimentos de Moradia (UMM) em seis pontos da cidade mostra uma organização que não se restringe ao Estado de São Paulo e tem práticas similares ao de organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A reportagem entrevistou hoje, na sede em construção do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), militantes que descreveram as ações da organização e suas relações com partidos e igrejas.
Como no MST, os objetivos são amplos e a desconfiança em relação às promessas dos governos é grande. A disciplina e a hierarquia têm de ser respeitadas. Até entrevistas dadas por crianças, como a estudante Gabriela Marques Lobato, de 12 anos, são acompanhadas pelos coordenadores, que davam dicas de respostas. Ela contou que quase não dormiu à noite, por "medo e frio". "Medo de que a polícia viesse tirar a gente daqui". Expulsos - Foi por desrespeito à disciplina que dois militantes da UMM que participavam da "ocupação" (ou "invasão", como considera o governo estadual) foram convidados hoje a retirar-se do movimento. "Beberam", contou Marli Lúcio da Cunha, chefe da comissão de segurança do grupo que tomou a sede do TRT. Com um apito na boca, que ela usou cerca de 50 vezes somente na manhã de hoje, ela coordenava a disciplina, o vaivém e até as cantorias no local.
"Não admitimos bebida, arma e drogas durante nossas ações", contou, pouco após organizar a reza de um Pai Nosso e o canto do "hino da UMM". Segundo Marli, os "direitos e deveres" de cada militante estão escritos em um regulamento, feito pela coordenação da UMM. Entre as famílias que tomaram os seis prédios não há militantes de partidos, conta. Apoios - Entre os coordenadores das 30 regiões em que está dividida a cidade de São Paulo, ela informa que a maioria é filiada ao PT. Ela mesma é filiada. O grupo do TRT chegou a negociar a doação do almoço de ontem com o Diretório Municipal do partido. "Temos o apoio do PT, das Pastorais e Comunidades Eclesiais de base, mas aceitamos o apoio de qualquer partido".
A reportagem entrevistou Marli em um raro momento em que as entrevistas à imprensa não foram acompanhadas por um dos coordenadores da UMM. Algumas declarações, como o patrocínio do café da manhã pele Igreja Católica, foram diferentes da versão oficial. Ela sofre uma ação de despejo e tem uma filha paraplégica para criar.
De acordo com Benedito Roberto Barbosa, da Executiva da UMM paulista, o movimento existe também nos Estados do Rio, Minas Gerais, Goiás, Paraná e Sergipe, sob a coordenação da União Nacional por Moradia Popular (UNMP). (A.L.C.)





