São Paulo, 17 (AE) - Os incentivos fiscais, que limitam em 2% do lucro líquido a inclusão de doações como despesas operacionais, não são considerados um grande estímulo pelos empresários, diferentemente das vantagens proporcionadas pela Lei Rouanet para o marketing cultural, segundo o vice-presidente do Instituto Ethos, Valdemar de Oliveira Neto. O instituto reúne 235 empresas. Fundado há um ano e meio por Oded Grajew, tem como meta reunir até o final do ano 300 interessados em incorporar a consciência da responsabilidade social a altos padrões éticos de relacionamento com todos aqueles envolvidos em seus processos, de fornecedores a consumidores.
Ethos é uma palavra de origem grega que significa estudo dos costumes e do caráter. Para Neto, ao fazer investimentos nessa área, a empresa reforça sua reputação e credibilidade, bem como a relação junto aos consumidores e aos funcionários. "A questão da opção de compra do consumidor é apenas um componente", diz o executivo do Ethos
que defende a importância dessas ações mesmo em empresas que não tenham contato direto com o consumidor. A preocupação social cria um ambiente de trabalho mais saudável, em uma época em que se depende cada vez mais do talento dos profissionais. E esse é um fator crítico para a retenção dos funcionários", completa.
Se a avaliação do impacto dessas ações é muito subjetiva
alguns exemplos chamam a atenção para o interesse que o assunto desperta. O investimento de R$ 6 milhões da C&A em ações sociais foi capa da "Exame" no início do ano passado, no período do ano no qual é feito o recrutamento de trainées. Coincidência ou não, o número de candidatos interessados triplicou na ocasião, conta o vice-presidente do Ethos, Valdemar de Oliveira Neto. O publicitário da McCann concorda. "A faceta mais surpreendente do envolvimento da empresa com a comunidade é a reação do público interno" e cita como exemplo o Instituto C&A.
A empresa aloca pessoal das várias unidades de negócios para trabalhar junto à comunidade próxima. Os envolvidos detectam a necessidade da população e fazem um projeto. Ao ser constatada a viabilidade, a empresa financia a obra ou a contratação do profissional demandado. Os funcionários acompanham todo o processo durante o horário de trabalho, em equipes cuja estrutura hierárquica é completamente diferente do ambiente organizacional. "Isso entrosa pessoas que antes eram rivais", diz.
Entre outros benefícios, Caropreso também acredita na diminuição do turn over, pois as pessoas ficam ligadas à algo além do trabalho. Ele destaca outras vantagens como o aumento da energia para o trabalho e do respeito pelo emprega dor. (D.K.)

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