Ação sobre massacre tem novo juiz
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quarta-feira, 07 de maio de 1997
Agência Estado 
BELÉM - O juiz Laércio Laredo, de Curionópolis (sul do Pará), indicado havia dois meses pelo Tribunal de Justiça para cuidar exclusivamente do processo que envolve 155 policiais militares e quatro civis no massacre de 19 sem-terra em Eldorado de Carajás, pediu oficialmente ontem seu afastamento do caso. Ele queria ficar numa comarca mais perto de Belém, explicou Valério Alves, chefe de gabinete da presidência do TJ. Laredo foi removido para Gurupá, no arquipélago de Marajó. Quem vai ocupar o lugar dele para tentar agilizar o processo é o juiz Otávio Marcelino Maciel, conhecido por suas constantes críticas à morosidade da Justiça.
Comigo nenhum processo fica parado, garantiu Maciel. Ele vinha cuidando em Belém de 186 processos contra prefeitos e ex-prefeitos denunciados pelo Ministério Público por corrupção, desvio de recursos públicos e enriquecimento ilícito. Maciel viaja para Marabá na próxima segunda-feira, onde deverá ouvir 68 PMs do 4º Batalhão. Esse batalhão era comandado pelo coronel Mário Pantoja, apontado pelo governador Almir Gabriel como único responsável pela matança. O juiz Laércio Laredo já ouviu todos os PMs do batalhão de Paraupebas. Estes acusam o batalhão de Marabá como responsável pelos tiros que mataram os sem-terra.
Maciel prometeu em quatro dias ouvir todos os PMs de Marabá. Depois disso, irei ouvir em Curionópolis as testemunhas arroladas na denúncia, acrescentou. O juiz disse que só depois de ouvir todas as testemunhas arroladas na defesa prévia dos acusados e enviar o processo ao Ministério Público para as alegações finais, decidirá se pronuncia ou não os PMs, desclassifica os crimes ou absolve os acusados. Posso decidir por uma dessas quatro coisas ou pelas quatro juntas, resumiu.
O presidente do TJ, desembargador Romão Amoedo Neto, não quis falar sobre a saída de Laredo do processo.


