São Paulo - O Ministério Público de Minas Gerais entrou, ontem à tarde, com uma ação na Justiça para acabar com a Abrabin (Associação Brasileira de Bingos). A ação, que é de alcance nacional, está dentro de um conjunto de medidas que promotores e procuradores de Justiça de todo o país têm tomado para terminar com o negócio.
A ação será julgada na 32Vara Cível de Belo Horizonte. O presidente da Abrabin, Olavo Sales da Silveira, disse que desconhece a ação, mas que o Ministério Público ''vai ter que trabalhar muito para encontrar motivo jurídico para isso''.
Para o promotor Rodrigo Albuquerque, um dos autores da ação, a existência da Abrabin contraria a lei. ''É uma associação que tem finalidade ilícita, na medida que defende os bingos, que é uma atividade ilícita. A Constituição permite a liberdade de associação, mas desde que a atividade não seja ilícita.''
Albuquerque é integrante do Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado, que reúne promotores e procuradores estaduais e federais. O grupo foi criado no ano passado para integrar ações contra o crime organizado em todos os Estados e no Distrito Federal. Entre essas ações estão os fechamentos de bingos que, segundo Albuquerque, têm relações com lavagem de dinheiro.
Para Silveira, os bingos não podem ser considerados ilegais, já que a própria Justiça tem concedido liminares permitindo o funcionamento de várias casas. A associação diz que há mil casas de bingo abertas no país e cerca de 40 fechadas, mas que já têm pedidos de liminares na Justiça para reabertura. O Ministério Público diz que está recorrendo das decisões favoráveis aos bingos e que pretende fechar todos os estabelecimentos. ''Os promotores alegam lavagem de dinheiro e nunca comprovaram'', observa Silveira.

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