Londrina- A organização não-governamental (ONG) Meio Ambiente Equilibrado protocolou ontem na Justiça Federal de Londrina uma ação civil pública inibitória contra o Consórcio Cruzeiro do Sul (Copel e Eletrosul) e a União Federal solicitando a paralisação imediata das obras de construção da Usina Hidrelétrica de Mauá (UHE), entre Ortigueira e Telêmaco Borba.
De acordo com o advogado Camillo Kemmer Vianna, a expectativa é que a Justiça determine a paralisação, uma vez que a ONG ''não quer nada além do que defender a segurança da população.'' No pedido, a entidade argumenta que estudos elaborados pelo próprio consórcio concluem que há risco de danos.
Vianna explica que o Tibagi recebe um alto grau de despejo de esgoto de diversas cidades e que o risco de contaminação aumentaria com o barramento do rio. Outro problema é na área de alagamento prevista para o reservatório existem 26 entradas de mineração de carvão abandonadas desde 1992.
O objetivo, de acordo com a ONG MAE, é evitar a destruição da floresta de Mata Atlântica na área, até que o Consórcio comprove cientificamente se é possível evitar os danos à qualidade da água descritos nos relatórios do próprio Consórcio. A formação do reservatório deve alagar 8 mil hectares de margens do Rio Tibagi. Do total, 40 hectares de matas já foram derrubadas para a construção do canteiro de obras. A multa sugerida para o descumprimento é de R$ 500 mil diários.
O Tibagi é o terceiro maior rio do Paraná e é manancial de abastecimento de Londrina e Cambé e outros 40 municípios, como Rolândia, Telêmaco Borba, Tibagi, Jataizinho e outras.
O Consórcio Cruzeiro do Sul informou que vai aguardar a intimação oficial para avaliar quais medidas cabíveis serão adotadas.

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