O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Vicente Chelotti, revelou ontem que a operação que trouxe ao Brasil a advogada Jorgina Maria de Freitas impediu que ela tentasse uma última estratégia para escapar da Justiça brasileira. A fraudadora teria acionado advogados para entrar com pedidos de habeas corpus nos países em que ela poderia fazer escala, caso fosse viajar em um avião comercial.
A operação foi sigilosa e cronometrada. ‘‘Parecia um sequestro feito por israelenses’’, comparou o agente Wilson Pina. Com a estratégia, Jorgina esperava que se passassem os dois meses necessários para que ela pudesse responder ao processo de extradição em liberdade, como mandam as leis da Costa Rica.
Ao descobrir o plano, a PF conseguiu do presidente Fernando Henrique Cardoso o jato da FAB, que transportou a advogada sem escalas no exterior.
Vestida com túnica e calça pantalona branca transparente, usando brinco e colar de pérolas, Jorgina chegou à superintendência da PF às 3h35, procurando esconder as algemas nos pulsos. A fraudadora foi escoltada por dez policiais federais, em três carros da PF. No Galeão, teve a bagagem - uma mala grande e uma sacola de plástico - apreendida e vistoriada pela Receita Federal.
Na ação penal 04/91, Jorgina foi condenada a 14 anos de prisão (12 anos por peculato e dois por formação de quadrilha). (Gustavo Alves e Cláudio Renato/Agência Estado).

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