O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema, José Rainha Júnior, disse ontem, em Teodoro Sampaio, SP que o objetivo das ações do movimento dos últimos 15 dias é garantir, antes das eleições, o maior número possível de acordos para assentamentos, além de um aumento de R$ 30 milhões nas verbas do Programa Especial de Crédito para Reforma Agrária (Procera) para 99. O MST teme que, com uma eventual vitória do candidato Paulo Maluf ou de Francisco Rossi nas eleições para o governo do Estado de São Paulo, ocorra um retrocesso no processo de reforma agrária no Estado.
‘‘Uma vitória do Maluf muda tudo; a União Democrática Ruralista vai mandar na reforma agrária’’, disse Rainha. ‘‘E esse Rossi também é complicado, pois é uma direita disfarçada.’’ Também preocupa o líder a possibilidade de o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) ser extinto pelo próximo governador paulista. O Itesp, que promove assentamentos e oferece assistência técnica aos assentados, foi criado por um decreto e pode ser extinto a qualquer momento. Está tramitando na Assembléia Legislativa do Estado um projeto de lei que transformará o órgão em fundação, o que impedirá sua extinção.
Rainha reconhece que a atual ofensiva é uma corrida contra o tempo, para garantir posições que não poderão ser alteradas caso os resultados das eleições sejam adversos ao MST. O líder teme que o agravamento da crise internacional deixe o governo sem recursos para continuar os investimentos nos assentamentos.
‘‘O barco está desgovernado’’, disse o líder do MST, referindo-se ao governo. Segundo ele, somente no Pontal do Paranapanema são seis mil famílias assentadas, das quais duas mil são associadas à Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária do Pontal (Cocamp), ligada ao movimento.
A definição agora de mais recursos é para assegurar a prosperidade de vários projetos agroindustriais em implantação. As agroindústrias encaixam-se numa estratégia maior, a de transformar o Pontal - num prazo de 10 anos - num modelo para outras regiões em que ocorrem conflitos fundiários. Rainha sonha com um programa de piscicultura eficiente, um laticínio que processe 100 mil litros de leite/dia, e com a maioria dos lotes dos assentamentos ocupados em parte por lavouras de café.
Para realizar o sonho falta dinheiro. O Incra já liberou R$ 3,7 milhões para a construção de um complexo agroindustrial de processamento de grãos, para um laticínio e para uma máquina para tirar polpa de frutas, todas em implantação em Teodoro Sampaio. ‘‘Mas não temos ainda o dinheiro para as obras de infra-estrutura desses projetos’’, disse Rainha. Segundo ele, somente para montar as instalações elétricas do laticínio seriam necessários cerca de R$ 800 mil.

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