Belo Horizonte, 05 (AE) - Representantes da norte-americana Southern deram entrevista hoje, pela primeira vez desde que o governo mineiro conseguiu na Justiça tutela antecipada na ação para anular o acordo de acionistas da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). "A ação é lamentável e descabida", disse o gerente-delegado da Southern do Brasil, Cláudio Salles.
Salles e o vice-presidente da Cemig, David Travesso, informaram que a Southern impetrou hoje outro recurso contra a decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: um mandado de segurança, com pedido de liminar, encaminhado à Corte Superior do TJ-MG. Os representantes da empresa norte-americana disseram que estão confiantes na decisão da Justiça, de cassar a tutela antecipada concedida ao governo mineiro.
A expectativa é que o pedido de liminar, que será analisado pelo desembargador Amilar campos Oliveira, seja atendido antes da reunião do Conselho de Administração da companhia energética, na quinta-feira. Nesta reunião, o governo mineiro pretende destituir os três representantes dos sócios privados - Southern, AES e Opportunity - na diretoria da empresa: o vice-presidente, o diretor de Produção e Transmissão e o diretor de Suprimentos.
O gerente-delegado da Southern argumentou que o governo de Minas está indo contra um acordo proposto pelo próprio Estado. O acordo de acionistas firmado pelo ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB) já constava do edital de venda das ações da Cemig, realizado em 1997. Na ocasião, o Ministério Público chegou a questionar o tratado, mas a ação foi considerada improcedente. "O Estado definiu o acordo há dois anos e agora está indo na direção contrária." Pelo acordo de acionistas, os sócios privados, com 33% das ações ordinárias da Cemig, têm direito a vetar qualquer investimento acima de R$ 1 milhão. Salles lembrou hoje que, em dois anos de parceria, nenhum projeto de investimento foi vetado pelos sócios.
O gerente-delegado da Southern disse ainda que os sócios não foram procurados no sentido de revender as ações para o governo mineiro, uma possibilidade que chegou a ser anunciada por assessores de Itamar Franco. Segundo Salles, nenhum corte de investimento foi definido em consequência da ação judicial movida pelo Estado. Ele afirmou que o interesse da Southern em participar do leilão de privatização da Furnas Centrais Elétricas não mudou.

mockup