Salvador, 26 (AE) - A ocupação do Parque de Monte Pascoal, na Bahia, por índios pataxós e a intensa depredação promovida por madeireiros na floresta de cerca de 14 mil hectares de mata atlântica, podem inviabilizar a transformação da área em patrimônio natural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O alerta foi dado hoje na capital baiana pelo representante da entidade no Brasil, Jorge Werthein. O pedido para proteção mundial do parque, feito pelo governo brasileiro, será analisado na próxima reunião anual da Unesco, marcada para novembro em Marrakesh, no Marrocos.
A decretação era dada como certa porque a entidade queria homenagear o Brasil que completa 500 anos em 2000. O Monte Pascoal é um marco do Descobrimento e tem preservadas árvores nativas da mata atlântica. No entanto, o projeto esbarra nos problemas do parque, invadido há 15 dias por cerca de 300 índios pataxós que reivindicam o controle da área. "Essa ocupação foi um grande retrocesso no processo de decretação do parque como patrimônio mundial natural", disse Werthein. Ele fez um apelo ao governo e entidades envolvidas na administração de Monte Pascoal para resolver a questão.
Iguaçu - A depredação pode tirar o título de um outro santuário ecológico brasileiro, o Parque de Iguaçu, no Paraná, que já é considerado Patrimônio Natural da Humanidade. "A grande ameaça do Iguaçu é a estrada dos colonos, aberta dentro do parque que está ajudando a promover o desmatamento do local", disse. Segundo ele, a Unesco deu um prazo até o final de setembro para que os governos federal e estadual fechem a estrada dos colonos. "Caso contrário, o título será cassado".
Werthein inaugura amanhã (27), no Pelourinho, o primeiro escritório da entidade em Salvador. "Nossa presença física no centro histórico de Salvador vai nos permitir acompanhar mais de perto o trabalho de preservação que se faz aqui", observou. Ele anunciou que a Unesco vai realizar um trabalho de parceria com o governo baiano e iniciativa privada com o objetivo de fomentar a preservação do patrimônio e do meio-ambiente.
Segundo Werthein, o escritório da entidade também buscará ajuda das empresas para restaurar monumentos históricos que estão fora do conjunto do Pelourinho, tombado como Patrimônio Cultural da Humanidade. O Forte de São Marcelo, único do Brasil construído no mar, num banco de areia da Baía de Todos os Santos, é um exemplo dos mais significativos de um desses monumentos que precisa de intervenção urgente.

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