por Clarissa Thomé
Rio, 27 (AE) - A primeira ação da força-tarefa que une as polícias federal e estaduais no combate ao tráfico de drogas e de armas no Estado foi adiada, segundo o governador Anthony Garotinho, por causa da polêmica criada pelo prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, que defendeu no início da semana passada a intervenção do Exército no Estado. "Ele criou um clima desconfortável e acabou atrapalhando a operação que se iniciaria essa semana", afirmou o governador, que estava tratando do assunto sigilosamente com o governo federal. Segundo Garotinho, Conde teria sabido da chegada de uma força-tarefa ao Estado e tentou se antecipar aos fatos. "Ele queria deixar a entender que a ação havia sido provocada a pedido dele", disse.
A força-tarefa vai atuar nos principais acessos ao Rio - rodovias e Baía de Guanabara -, por onde armas e drogas entram no Estado. Segundo o governador, grande parte do contrabando chega pela baía, mas ele se recusou a responder se a Marinha vai participar da força-tarefa.
Garotinho definiu o acordo com o governo federal como um "programa geral" para coibir o tráfico. "Nossa estratégia não pode ser aberta para não atrapalhar a operação", afirmou o governador. O protocolo para a criação da força-tarefa foi assinado em 11 de setembro. Segundo o governador, além de reforçar o policiamento nas rodovias, as equipes vão "retirar os traficantes de suas áreas de atuação". "Tenho me deparado com uma situação decisiva, que é a relação dramática entre a criminalidade e o tráfico: mais de 65% dos crimes são cometidos em função das drogas", afirmou.
O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, disse ontem que vai a Brasília na primeira quinzena de outubro discutir os últimos detalhes do convênio com o governo federal. Antes disso, Quintal deve se encontrar com o superindente da Polícia Federal do Rio, delegado Flávio Furtado.

mockup