A Polícia Federal de Foz do Iguaçu tem apenas três agentes na Ponte Tancredo Neves (Brasil/Argentina) para coibir o tráfico de drogas, contrabando e controlar a entrada de imigrantes no País. O efetivo reduzido dificulta a fiscalização contra o tráfico de lança-perfume, que tradicionalmente aumenta às vésperas do Carnaval.
A equipe reveza a fiscalização, por amostragem, dos 1,8 mil veículos que cruzam a fronteira diariamente com o controle de imigrantes. Das 32 viagens diárias (linha Foz/Puerto Iguazú) feitas pelas empresas de transporte coletivo, por exemplo, no máximo três são abordadas, conforme um agente que pediu o anonimato. Os demais cruzam a fronteira sem passar por revistas.
A fiscalização é colocada em segundo plano porque os agentes dão prioridade aos imigrantes que precisam despachar seus documentos no departamento de estrangeiros. Somente em janeiro, a unidade registrou a entrada de 26 mil pessoas no Brasil (a maioria turistas) e a saída de 17 mil, contra um média mensal de 2 mil entradas e duas saídas fora da temporada de turismo. Nem o elevado movimento de turistas resultou em mais policiais na ponte.
O delegado-chefe da PF, em Foz, Eudes Carneiro, revela ter 97 agentes para cuidar da administração, do atendimento aos estrangeiros, carceragem da delegacia, operações nas rodovias federais e plantões. ‘‘É muita atribuição para pouca gente’’, justifica. Ele linforma que deve receber mais policiais em agosto.
Apesar do efetivo reduzido, PF recolheu 2.628 frascos de lança-perfume no primeiro bimestre do ano passado, contra 2,9 mil unidades apreendidas neste ano. A última apreensão ocorreu anteontem. A Polícia Rodoviária Federal apreendeu 72 frascos na BR-277 em Céu Azul (46 quilômetros a oeste de Cascavel), que estavam com Anderson de Souza Alves, 18 anos. Ele disse à polícia que iria revender a droga em Londrina.

mockup