O reforço no combate ao contrabando em Foz do Iguaçu deve continuar este ano independente de confrontos entre policiais e sacoleiros, como os ocorridos nos últimos dias na fronteira do Brasil com o Paraguai. A posição foi ratificada ontem pela Receita Federal (RF), Polícia Federal (PF) e Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os três órgãos aumentaram a fiscalização sobre os compristas desde o dia 14.

A intensificação da vistoria na Ponte da Amizade e BR-277 - único acesso terrestre à região - tem revoltado sacoleiros. No sábado à noite um confronto resultou na prisão de seis pessoas, acusadas de contrabando, descaminho, desacato e desobediência. Outra pessoa foi detida na quarta-feira passada epelo menos dez ficaram feridas durante protesto. E, no feriado da Proclamação da República, uma operação terminou em protesto e queima de caixas de papelão na aduana brasileira.

Os sacoleiros justificam que a atividade é a única opção de subsistência que têm. Mas, para o delegado da Receita Federal em Foz, Mauro de Brito, ''o crime econômico é tão violento quanto este (roubo). É preciso mudar a mentalidade da sociedade''.

Conforme o delegado-chefe da PF, em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, os agentes continuarão prendendo quem comprar, transportar e vender mercadorias contrabandeadas. Sobre a repressão policial ocorrida no sábado à noite, afirmou que ''existe um estado de desobiência civil. O crime está sujeito a sanções''.

As ações de combate ao contrabando resultaram na apreensão de US$ 1,7 milhão (R$ 4,2 milhões) em mercadorias, como eletrônicos, brinquedos e principalmente cigarros. Deste total, US$ 135 mil (R$ 338 mil) foram apreendidos em seis ônibus revistados em hotéis de Foz do Iguaçu no sábado passado - fato que desencadeou no manifesto dos sacoleiros.

Além de coibir o crime, a Receita Federal quer aumentar sua arrecadação em impostos. Em 2000, a RF acredita ter fiscalizado apenas 3% do movimento na Ponte da Amizade, por onde cruzam cerca de 19 mil pessoas e 15 mil pedestres diariamente. Em novembro, com o aumento no número de servidores na aduana de sete para 14, o índice de vistoria passou para perto de 30%.

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