Ação contra Quércia e Fleury sobre Banespa é arquivada2/Mar, 22:41 Por Thélio de Magalhães São Paulo, 02 (AE) - Após quatro anos de tramitação, bloqueio de bens dos réus, incidentes processuais e dezenas de recursos que chegaram até o Supremo, a ação ordinária de responsabilidade movida pelo Ministério Público contra os ex-governadores Orestes Quércia, Luiz Antônio Fleury Filho e 107 ex-administradores do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) foi arquivada. O juiz da 8ª Vara Cível da Capital, Carlos Elmano de Oliveira Neto, julgou hoje extinto o processo, por entender que cessou a legitimidade ativa do Ministério Público (MP) para nele continuar a atuar. O Ministério Público queria que os ex-administradores fossem condenados a repor dos próprios bolsos os prejuízos sofridos pelo Banespa, em face da má administração nos governos Quércia e Fleury. O balanço entrou no vermelho diante do que o Banco Central no dia 30 de dezembro de 1994 decretou intervenção no Banespa, que foi colocado em Regime de Administração Especial Temporária. O advogado dos ex-governadores, Mário Sérgio Duarte Garcia, requereu a extinção do processo, sem julgamento do mérito. Ele alegou que o Banespa está saneado, tanto que foi entregue à União para pagamento das dívidas do Estado de São Paulo. Até bancos estrangeiros estão interessados em participar do leilão de privatização do Banespa. Atualmente, a Advocacia-Geral da União tenta derrubar duas liminares que suspendem a privatização. Duarte Garcia alegou ainda que cessado o regime de adminsitração temporária no Banespa, o MP perdeu a legitimidade ativa e o interesse processual para prosseguir a ação de responsabilização. Na sentença, o juiz Oliveira Neto destaca que não mais existe "interesse público a tutelar em prol de coletividade de credores insatisfeitos". O juiz acrescenta que pelos documentos juntados ao processo e por consulta efetivada no Banco Central, "pode-se afirmar que inexiste obrigação do Banespa não satisfeita junto a credores e/ou investidores".