São Paulo, 29 (AE) - A ação dispersa e descoordenada do governo anula todo o esforço dos órgãos oficiais para o incentivo às exportações. As medidas adotadas nos últimos anos não apresentaram resultados visíveis. Não há, tampouco, sentido de urgência nas providências oficiais, o que contribui para que se perca boa parte da vantagem cambial para a expansão do comércio exterior brasileiro. Essas foram algumas das conclusões dos empresários, técnicos e até de representantes do governo, que se reuniram hoje na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para propor medidas para a expansão das exportações.
Após a reunião, o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, anunciou a instalação da Central de Serviços de Apoio às Exportações, na sede da entidade, para auxiliar pequenos e médios empresários a ingressar no comércio exterior.
A iniciativa faz parte do Programa SPEx - São Paulo Exporta, criado pela Fiesp. A entidade, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil e Receita Federal, além de instituições privadas de comércio exterior, pretende propor medidas para eliminar a burocracia e reduzir os custos das operações no comércio exterior.
Espera também identificar fontes de recursos para estimular as exportações. A Fiesp convocou representantes do governo do Estado para auxiliá-la nessa tarefa. "Vamos tentar colocar todas as pessoas juntas para discutir as questões relativas às exportações e tentar identificar as dificultadades", afirmou Piva.
Ele disse que não acredita que o governo tivesse real interesse no crescimento das exportações, até pouco tempo atrás. "Tudo não passava de um bom discurso, sem ações efetivas." Na sua opinião, isso também ocorria com muitas empresas, que viam maior atrativo no mercado interno.
Esse quadro, segundo afirmou, mudou. O governo depende dos dólares das exportações para fechar as suas contas e as empresas, precisam compensar a perda de espaço no mercado interno.
Embora a Fiesp esteja criando uma Central de Serviços para atender aos exportadores, Piva disse que não pretende substituir os serviços dos despachantes. "Queremos, na verdade, eliminar as taxas de serviços e a burocracia para a emissão de guias de exportação."

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