Paranapoema - Três dos nove vereadores de Paranapoema, inclusive o presidente da Câmara, se juntaram aos acampados da Fazenda Santa Teresinha. Com um salário de R$ 600 e a obrigação de apenas uma reunião por semana, os vereadores decidiram dar um tempo na política e no processo legislativo e buscar no acampamento a chance de um lote de terra. ''Na política não tem justiça social; cresci na lavoura e, por isso, não vejo sentido em disputar uma próxima eleição'', contou o vereador Joseli do Nascimento (PMDB) que exerce o primeiro mandato.
Com 33 anos, casado e pai de três filhos, o vereador deixou a residência na cidade e levou toda a família para o acampamento, mas afirmou que continua frequentando as sessões legislativas, realizadas às terças-feiras. Nascimento e outros dois colegas acreditam que a luta pela terra, junto com os acampados, tem mais futuro e é muito mais interessante que o processo legislativo. Além de Nascimento, estão no acampamento da Santa Teresinha, o presidente da Câmara, Carlos Antonio dos Anjos (PSDB) e o veredor José Antonio de Oliveira (PTB). Para o prefeito de Paranapoema, Aparecido Stuani, os vereadores só estão no acampamento para garantir votos nas próximas eleições.
Na cidade, o assunto principal é a corrida desenfreada ao acampamento. Funcionários públicos, comerciantes, desempregados, além dos vereadores, mantiveram o domicílio em Paranapoema, mas correram para a Santa Teresinha porque acreditam que o caminho para a prosperidade está na reforma agrária. Para o dono de cerâmica, Maurílio Frazatto, o que o MST ofereceu à população de Paranapoema foi ''ilusão''.
No município existem seis cerâmicas e em todas elas, de dois a três funcionários pediram para serem demitidos com o objetivo de angariar o seguro desemprego e se manter no acampamento. Os funcionários deixaram salários de R$ 380.

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