Dimitri do Valle
Promotores da Infância e da Adolescência realizam hoje pela manhã uma inspeção no acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em frente ao Palácio Iguaçu. O Procurador-Geral de Justiça, Gilberto Giacóia, determinou que o Ministério Público verifique as condições das crianças e idosos que vivem no local. Giacóia recebeu a informação de que o MST providenciou a transferência de cerca de 140 mulheres, crianças e idosos para casas de abrigo.
O trabalho dos promotores, segundo Giacóia, também será investigar as instalações onde os sem-terra estão abrigados. Na terça-feira, a primeira-dama do Estado, Fani Lerner, pediu que o Ministério Público obrigasse os sem-terra a levar as crianças para outro local. Giacóia disse que a promotoria já estava realizando um trabalho de acompanhamento das condições de vida dos acampados em frente ao Palácio antes do pedido.
A data do encontro entre o governador Jaime Lerner e representantes do MST continua num impasse. Enquanto os sem-terra querem falar diretamente com Lerner, sua assessoria pede para que a pauta de reivindicações seja discutida com o chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda.
‘‘Se não for com o governador, só com o presidente da República’’, afirma o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio. Ele entende que a pauta já é de conhecimento público. Baggio acha que o encontro preliminar com Taborda impõe ‘‘pré-condições’’ por parte do governo para aceitar o encontro com o MST. Deputados da Comissão de Terras da Assembléia Legislativa ensaiaram, na semana passada, com Taborda, uma aproximação entre governo e os sem-terra.
Lerner quer do MST a apresentação de uma pauta positiva. Ele disse ontem que aceita conversar, desde que o MST cesse as provocações. Numa referência à construção de barracos de madeira no Centro Cívico, ele comentou que a sociedade está repudiando este tipo de provocação.
O item da pauta que mais incomoda o governo é a exigência do MST para discutir a questão da ‘‘perseguição política’’ e a ‘‘violência’’ nas desocupações na região Noroeste. Os sem-terra pedem ainda a Lerner a criação de novos assentamentos e apoio financeiro para as áreas já regularizadas. (Colaborou Leandro Donatti)

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