Paulo Pegoraro
De Cascavel
Cerca de 350 famílias ‘‘racharam’’ um dos maiores acampamentos mantidos por sem-terra no Paraná, o da Fazenda Refopas, no município de Cascavel (Oeste do Estado). O grupo iniciou anteontem e concluiu ontem a montagem de barracos em outro ponto da propriedade, de 554 hectares, alegando discordar de métodos dos coordenadores do MST e não querer se submeter às regras no acampamento original, formado em maio por mais de mil famílias. Sobre a fazenda, já há ordem de reintegração de posse.
A dissidência foi denominada ‘‘Sonho da Terra’’ e, segundo seus líderes, como Alzemiro Moura, 72 anos, os coordenadores do acampamento da Refopas exigem o pagamento de mensalidade de R$ 1,00 de cada família. Além disso, cobram comissão sobre o rendimento que os acampados obtêm com trabalho volante fora da fazenda. No acampamento original, não foi possível obter a versão de nenhum coordenador, mas alguns sem-terra disseram que é ‘‘normal’’ contribuir para a ‘‘manutenção’’.
Não houve desdobramento agressivo para o ‘‘racha’’ e os dois grupos reconhecem que não há espaço para todas as famílias na fazenda, na hipótese remota de ela ser desapropriada pelo Incra. A proprietária, Maria Elisa Festugatto, possui laudo do instituto atestando que a fazenda é produtiva. Originalmente, a propriedade compunha um antigo latifúndio da família Festugatto e os sem-terra alegam que ela não cumpria a função social, exigida pela Constituição, porque empregava poucas pessoas.
Entre as mais de mil famílias, há também oriundas de favelas de Cascavel e outras cidades. Nos dois acampamentos - distantes 5 mil metros - as condições de sobrevivência são extremamente precárias, afetando principalmente o grande número de crianças.

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