Luciana Pombo
De Curitiba
O acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na Praça Nossa Senhora de Salette, em Curitiba, completou ontem três meses. Na avaliação de Paulo Brizola, um dos coordenadores do acampamento, durante os 90 dias de estada na cidade, os sem-terra conseguiram conquistar espaço na história política paranaense.
Entre as principais vitórias alcançadas, segundo ele, estão a revogação das sete preventivas decretadas contra líderes do MST, a libertação de 41 sem-terra presos durante processos de reintegração de posse, fim da violência no campo e o anúncio do Incra de assentar mais de 3 mil famílias este ano no Paraná. ‘‘Nossa pauta de reivindicações foi quase toda discutida. Ainda faltam alguns pontos e por isso não saímos daqui’’, afirmou ele.
Brizola destacou ainda o início das conversações com o governo do Estado com um novo intermediador, Antonio Carlos da Costa Coelho, assessor de políticas fundiárias do Estado. ‘‘Éramos contra a idéia de falar sobre os nossos problemas com o secretário da Segurança (Cândido Martins de Oliveira)’’, disse ele.
Para desmontar o acampamento e retornar para os assentamentos no interior do Estado, as 500 pessoas que estão acampadas no Centro Cívico aguardam o cumprimento de promessas que já foram feitas pelos governos federal e estadual. ‘‘Não queremos apenas promessas, queremos que os fatos comecem a se tornar realidade’’, afirmou. Brizola disse que espera a liberação de recursos para o custeio nos assentamentos e os R$ 30 milhões prometidos pelo ministro da Política Fundiária, Raul Jungmann.
‘‘São muitas famílias que precisam disso e não sairemos se não tivermos resultados’’, salientou. Do governo do Estado, os sem-terra aguardam a assinatura de convênios de assistência técnica e educação.
Enquanto os sem-terra aguardam o cumprimento das promessas, o acampamento continua. A estufa já está produzindo temperos e as primeiras alfaces deverão ser colhidas em cinco dias. O departamento de serigrafia também está funcionando no prédio abandonado do Fórum de Curitiba.
‘‘Por enquanto estávamos fazendo pouca coisa lá. Pretendemos aumentar a escala de produção de material serigráfico’’, disse ele. Hoje, os acampados deverão retomar o método de ocupação na sede do Incra, para pressionar o governo federal na busca por terras.

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