Acampamento completa cinco meses
Emerson Cervi
De Curitiba
O acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na praça Nossa Senhora Salete, em frente ao palácio Iguaçu, em Curitiba, completou ontem 155 dias de existência. Não há previsão de data para o fim do acampamento, mas uma reunião entre sem-terra, superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná e governo do Estado, dia 16, pode terminar com a manifestação.
Apesar do MST fazer um rodízio mensal entre os 500 ocupantes da praça Nossa Senhora de Salete, os sem-terra estão ficando cansados da permanência em Curitiba. A pressão aumenta a cada semana e se o governo sinalizar com ações concretas em favor da reforma agrária no Estado poderemos levantar o acampamento, disse ontem um dos coordenadores regionais do movimento. O objetivo do acampamento já foi alcançado. Ele se transformou no maior marco do MST no Paraná contra a falta de ações do governo de Jaime Lerner (PFL) em favor da reforma agrária.
Na pauta da reunião do dia 16 está prevista a discussão de um cronograma para assentamento de 6 mil famílias que continuarão acampadas no interior do Estado no próximo ano. A meta do Incra é assentar 3 mil dos 9 mil sem-terra paranaenses até dezembro. Queremos saber como os demais companheiros serão assentados e ainda estamos esperando a assinatura de cinco convênios com o governo do Estado.
Uma comissão do MST se reúne amanhã com a direção da superintendência do Incra no Paraná. Os sem-terra vão buscar cópias dos editais de desapropriação de 25 mil hectares apresentados há quinze dias pelo superintendente regional. Serão assentadas 1,2 mil famílias nessas áreas.
Depois que tiverem os editais de desapropriação, o MST começará a fazer os projetos de implantação dos assentamentos. Cada nova família de assentados tem direito a R$ 9,5 mil do Governo Federal. Esse dinheiro é dividido em R$ 2,5 mil para construção da casa, R$ 2 mil para custeio da primeira lavoura e o restante para compra de equipamentos.
Enquanto não há decisão sobre seu fim, o acampamento dos sem-terra em frente ao palácio Iguaçu continua chamando a atenção de turistas. Em média, cerca de 40 pessoas visitam as instalações. Ontem, três estudantes norte-americanos conheceram como vivem os sem-terra. Letícia Pleasant, 21 anos, estudante de Vermont, norte dos Estados Unidos, faz parte de um projeto de intercâmbio internacional de estudantes. Ela ficou impressionada com a organização e força do MST no Brasil. No meu país também há conflito agrário, principalmente com trabalhadores rurais pobres que buscam seus direitos, mas eles não são tão unidos como estes, afirmou. O MST comercializa cerca de mil reais em camisetas e bonés para os visitantes.





