Emerson Cervi
De Curitiba
A coordenação do acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na praça Nossa Senhora Salete, em frente ao palácio Iguaçu, em Curitiba, organizou ontem uma solenidade para a primeira colheita de alfaces da horta local. Foram colhidos cerca de 200 pés da hortaliça.
‘‘Nós estávamos sem verdura para comer e agora vai melhorar o rancho do pessoal’’, disse um dos integrantes da equipe de alimentação do acampamento, Mario Kovalski. Toda a produção será consumida pelos próprios sem-terra.
O acampamento do MST está em frente ao palácio Iguaçu há 106 dias. Em 26 de agosto, os sem-terra resolveram montar duas estufas tipo túnel baixo para produzir hortaliças. As estufas ficam a um metro do nível do solo e por isso não foi preciso destruir a calçada ou o jardim para implantar os canteiros. Ao todo, existem seis mil pés de alface, além de salsinha e cebolinha, sendo cultivados no acampamento do MST em Curitiba.
Além da horta, os sem-terra montaram uma padaria para fornecer pães aos cerca de 500 acampados. A padaria entrou em funcionamento no mês passado e produz 130 pães diariamente. No caso da alface, a produção é agroecológica, baseada em tecnologia alternativa. As hortaliças são cultivadas em substrato específico, adubadas com húmus de minhoca, sem uso de produtos químicos. ‘‘O MST respeita o meio ambiente, com uma tecnologia alternativa e a baixo custo de produção’’, afirmou.
Os sem-terra aproveitaram a solenidade para lembrar que nos três meses e meio em que estão acampados em Curitiba nenhuma família foi assentada em novo projeto de reforma agrária no Estado e entre os que já estavam assentados, ninguém teve acesso a crédito financeiro para a produção.

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