Paulo Pegoraro
De Cascavel
As 350 famílias dissidentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que montaram outro acampamento na Fazenda Refopas, em Cascavel, na semana passada, começaram a receber ontem assistência da prefeitura, principalmente na área de saúde. Representantes dos sem-terra obtiveram garantia de atendimento do prefeito Salazar Barreiros (PPB), que considerou a gravidade da situação devido ao grande número de crianças sofrendo problemas respiratórios nesse período de intenso frio.
A fazenda, de 554 hectares, pertencente a Maria Elisa Festugatto, foi ocupada em maio por mil famílias mas, sem perspectiva de assentamento no local e sob ameaça de despejo, elas começaram a se desentender. O ‘‘racha’’ tornou-se inevitável, ocorrendo a separação dos acampamentos, distantes agora 5 quilômetros um do outro. O novo acampamento foi denominado de ‘‘Sonho da Terra’’ e seus integrantes dizem não concordar com práticas do MST.
Os problemas de saúde e alimentação, entre outros, existem desde o início da ocupação. Há um mês, a prefeitura foi procurada pela Pastoral da Criança, com a solicitação de atendimento urgente. Um médico chegou a ser enviado à fazenda mas retornou, alegando não haver necessidade de atendimento mais efetivo, segundo teria sido alegado pelos coordenadores das famílias. Foram deixados no local apenas alguns tipos de remédios.
Ontem à tarde, a assessoria do prefeito explicou que ele concordou na realização do atendimento emergencial porque foi procurado pelos líderes das famílias e se convenceu de que havia a necessidade de um apoio imediato. Além disso, Salazar Barreiros fez contato com a superintendência do Incra, pedindo agilização nos estudos para o assentamento das 350 famílias.
LindoesteFazendeiros de Lindoeste (50 quilômetros ao sul de Cascavel) estiveram reunidos ontem com o prefeito Almir Gaspar (PDT) e a chefe regional do Incra, Sessuana Paese, para discutir a situação decorrente de quatro recentes invasões no município. Eles disseram que estão sendo forçados a reagir porque os mandados de reintegração não são cumpridos e nem os sem-terra são assentados em outros locais. O prefeito disse que tentará convencer os sem-terra de que as invasões complicam toda a possibilidade de assentamento.

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