Vânia Moreira
De Umuarama
O administrador da fazenda São Luiz, ocupada por sem-terra em Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Arnaldo Paes Proença, pediu reforço à Polícia Militar para consertar a cerca e recolher o gado da fazenda. Cerca de 800 cabeças de gado – a propriedade tem 2.700 – estão soltas na Estrada São Luiz. Proença acusa os sem-terra de ter destruído a cerca e soltado o gado quarta-feira à tarde. Os empregados teriam tentado refazer a cerca e recolher o gado, mas os acampados não permitiram que entrassem na propriedade.
Segundo o administrador, a PM de Goioerê vai mandar hoje três viaturas para que o pessoal possa entrar na propriedade. ‘‘Vamos levar oito empregados e mais de cinco mil metros de arame para refazer a cerca.’’ Proença disse que os sem-terra destruíram quase três quilômetros de cerca da propriedade e boa parte do gado fugiu para a estrada. ‘‘É a terceira vez que eles soltam o gado e temos que sair recolhendo’’. Ele registrou queixa na Delegacia por destruição de patrimônio. Segundo Proença, os sem-terra também abateram aproximadamente 60 cabeças de gado nos últimos meses.
Um dos sem-terra de Mariluz, que estava ontem na sede do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Curitiba, negou que os acampados tenham destruído a cerca para que o gado saísse. Segundo o sem-terra, que se identificou apenas como Antônio, eles confinaram o gado numa parte da propriedade, porque o rebanho estava destruindo as plantações de milho e mandioca. ‘‘Foi o gado que arrebentou a cerca e saiu’’, disse. Segundo Antônio, os sem-terra já pediram várias vezes ao administrador para retirar os animais da propriedade.
Cerca de 270 famílias estão acampadas desde março do ano passado na Fazenda Mariluz, pertencente ao fazendeiro José Teixeira, de Presidente Prudente (SP). No final de abril, eles expulsaram sete famílias que moravam na fazenda. Há dois meses foi preciso a intervenção da Defesa Sanitária Animal (DSA) para que 1,3 mil cabeças de gado fossem vacinadas contra febre aftosa. O produtor conseguiu reintegração de posse na Justiça, ainda não cumprida. Os advogados dos fazendeiros ingressaram com um pedido de intervenção federal no Estado.

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