Acampados pedem cestas básicas e ações do Incra
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Juliano de Souza Agência Estado 
Cerca de 300 sem-terra estão acampados desde ontem em Natal no Centro Administrativo, sede das secretarias e do governo do Rio Grande do Norte. O grupo, formado por integrantes de assentamentos e acampamentos, pessoas que não são ligadas ao movimento e sindicalistas, tenta obter mais cestas básicas. Também reivindicam projetos de irrigação e facilidade de crédito.
O alvo principal das reivindicações dos sem-terra é o Incra. José Maria Rocha, superintendente regional do órgão, disse que estão sendo perfurados poços em 30 assentamentos. Os sem-terra reclamam que o governo federal facilitou o crédito emergencial para os produtores - com até quatro anos de carência - através do Banco do Nordeste, e nada foi proposto para as áreas de assentamento.
O movimento é pacífico. O governo do Estado chegou a fornecer lanche para os agricultores na segunda-feira. Até o começo da tarde de ontem eles permaneceram em barracas de plástico. No local há faixas com a frase Estamos com fome. O MST usou nove caminhões e quatro ônibus para transportar moradores de assentamentos como o de São Pedro, em Pedra Preta, a 105 quilômetros de Natal.
Outra reivindicação dos sem-terra é para o aumento da quantidade de comida na cesta básica. Pedem que a cesta seja de 20 quilos de gêneros em vez dos 16 quilos atuais. Solicitaram ainda a inclusão de café, açúcar e rapadura. O secretário de Agricultura, Pedro Almeida, prometeu estudar o assunto. Ficou acertado que o Estado cuida dos acampamentos e o Incra, dos assentamentos.
DesvioNo Recife (PE), surgiu uma denúncia ontem de que um crédito emergencial de R$ 450 milhões do Programa de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), criado por uma Medida Provisória em 17 de maio, para atender pequenos agricultores atingidos pela seca, estava beneficiando comerciantes e grandes produtores.
A denúncia foi feita pelo representante da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Expedito Rufino. Uma brecha na MP estava permitindo que ao invés de beneficiar o pequeno, o crédito estivesse chegando a quem não precisa desse dinheiro, afirmou Rufino. O governo vai investigar.


