belém, 12 (AE) - Os sete mil sem-terra acampados nas dependências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá, no sul do Pará, decidiram hoje que vão ocupar, a partir de amanhã (13), a ferrovia de Carajás e as principais estradas da região. Segundo o dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Jorge Neri, o governo federal radicalizou na política de cortes de verbas para atender 230 assentamentos e outras 200 áreas ocupadas.
"Ofereceram menos de R$ 80 milhões, quando queríamos R$ 100 milhões para infra-estrutura nos assentamemntos e R$ 90 milhões para regularização fundiária das fazendas ocupadas", contou Neri. Ele disse que os trabalhadores estão sendo levados ao desespero pela "política discriminatória do Ministério de Política Fundiária para com o sul do Pará". Brasília - O coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na região, José Batista Afonso, definiu a reunião com a área econômica do governo e dirigentes do Incra hoje, em Brasília, como um "fracasso completo". Ele acusou o governo de agir com "distância e intransigência" em relação ao abandono que sofrem assentados e acampados. "O ministro Raul Jungmann parece que está apostando na continuidade dos conflitos e das mortes na luta pela terra no sul do Pará", atacou Batista.
Airton Faleiro, dirigente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), foi taxativo: "Tudo o que de ruim acontecer, a partir de agora na região, será culpa do governo federal e isso vamos dizer por todo o País". Para Faleiro, a região sempre foi tratada com "desdém e arrogância". Ele disse que os trabalhadores vão reagir com sua mobilização e atos em defesa de seus direitos".

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