Emerson Cervi
De Curitiba
O acampamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, completa nesse fim de semana dois meses de existência. Como os manifestantes dizem que só sairão de Curitiba depois que a pauta de reivindicações for cumprida pelo Governo do Estado, eles transformaram a praça Nossa Senhora Salette em uma mini-cidade. A infra-estrutura do local inclui uma barraca da secretaria, que funciona como prefeitura. Há uma farmácia para atendimento à saúde dos acampados, escola, horta comunitária, chuveiros elétricos e área para lazer.
Hoje os acampados pretendem inaugurar a barraca que funcionará como padaria dos sem-terra. Em três fornos a lenha serão produzidos inicialmente 120 pães caseiros por dia. ‘‘A produção inicial vai atender apenas os assentados, mas se depois houver interesse de outras pessoas nós também poderemos vender’’, disse Ireno Prochnow, um dos coordenadores do acampamento. Na próxima sexta-feira o MST inaugura uma barraca no pátio da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para venda de produtos agrícolas dos assentamentos agrários no Estado.
Desde o primeiro dia do acampamento, em 8 de junho, uma secretaria centralizada toda a coordenação do acampamento. ‘‘Além da coordenação, é da secretaria que nós encaminhamos os visitantes do acampamento e fazemos a divulgação de nossas ações em todo o Estado’’, contou Nei Horzekovski, outro coordenador.
A barraca da saúde também funciona desde o início do acampamento. Em média, são atendidas cerca de 100 pessoas por dia. Segundo um dos organizadores da barraca, Nestor dos Santos, ‘‘a maioria nos procura com febre ou dor de cabeça’’. A barraca funciona 24 horas por dia e os medicamentos que possui são doados pela comunidade. ‘‘O Sindisaúde é um dos principais doadores de remédios’’, conta. O setor de saúde conta ainda com uma ambulância que faz o transporte para o posto de saúde 24 horas do Bairro Boa Vista de pacientes que precisem de atendimento médico. Há 15 dias os acampados não tomam mais banho frio. Eles instalaram três chuveiros elétricos no andar térreo da construção do prédio do Fórum de Curitiba, que fica ao lado do acampamento. Essa era uma das principais reivindicações dos acampados à prefeitura.
A Escola Itinerante Terra e Vida, inaugurada no dia 21 de junho, atende cerca de 50 pessoas por dia. As crianças de 1ª a 4ª séries assistem às aulas pela manhã. À noite jovens e adultos têm aulas de alfabetização. Atualmente o acampamento está com cerca de 500 pessoas.
No pátio central do acampamento foi montado um palanque onde são hasteadas as bandeiras do MST e do Brasil. Todas as manhãs os acampados se reúne ali para cantar o hino nacional e o hino do MST.

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