Piracicaba, SP, 07 (AE) - A Polícia Militar prepara-se para realizar um novo despejo das 1,2 mil famílias do Acampamento "Nova Canudos", que desde quinta-feira ocupam terras da Fazenda Maria ¶ngela e áreas de domínio do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), no município de Piracicaba, a 170 quilômetros de São Paulo. A ordem de desocupação foi dada sexta-feira pelo juiz Joel Valente, da 6a. Vara Cível da Comarca
em ação de reintegração de posse movida pelo dono da fazenda, Joseph Moutran.
O comandante do 10o. Batalhão da PM no município, tenente-coronel Artur Roberto de Amaral Brisola, aguardava hoje uma liminar a ser conseguida também pelo DER. Depois da liminar dada ao fazendeiro, a maior parte dos barracos foi transferida para as faixas de domínio do órgão estadual, às margens da Rodovia Samuel de Castro Neves (SP-147), que liga Piracicaba a Anhembi.
Este será o quarto despejo enfrentado pelos sem-terra do Acampamento "Nova Canudos" desde que o grupo se organizou, no dia 7 de fevereiro, para invadir a Fazenda Boa Esperança, no município de Porto Feliz, região de Sorocaba. O Movimento dos Sem-Terra (MST) usou favelados, desempregados e moradores de rua para a invasão. O primeiro despejo, dado pela juíza Daniela Ventrice, ocorreu no dia 17 de março.
Os sem-terra permaneceram acampados no quilômetro 100 da Rodovia Castelo Branco até a invasão da Fazenda Boa Esperança, em Anhembi, dia 21 de junho. Despejados em 22 de julho por ordem da juíza Lígia Berardi Possas, de Conchas, no mesmo dia invadiram a Fazenda Ribeirão dos Pires, de onde saíram para acampar perto do centro de Anhembi. O despejo da cidade aconteceu quinta-feira.
O coordenador estadual do MST, Gilmar Mauro, disse hoje que as famílias estão sendo discriminadas. "As autoridades estão fechando todas as portas para nós." Segundo ele, o prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos (PSDB), mandou a polícia bloquear as estradas para evitar que os sem-terra cheguem na cidade. O acampamento está a 17 quilômetros da área urbana. Campos não foi encontrado hoje. Mauro disse que os sem-terra estão "no limite" da razão.
"Os coordenadores do acampamento estão segurando o pessoal para evitar confrontos." Ele espera uma audiência com o secretário estadual da Justiça, Belizário dos Santos Júnior, no início da semana, para encontrar uma solução. "Se não tiver outra saída, podemos voltar para Anhembi, ir para o centro de alguma outra cidade ou acampar no Palácio dos Bandeirantes", afirmou.

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