Acampados de Porto Feliz ocupam fazenda em Anhembi
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por José Maria Tomazela 
Anhembi, SP, 22 (AE) - Cerca de 400 sem-terra do Acampamento Nova Canudos, instalado na margem da Rodovia Castelo Branco, em Porto Feliz (SP), invadiram, ontem (21), a Fazenda Boa Esperança, no município de Anhembi, a 230 quilômetros da capital. É a primeira invasão de terras naquela parte do Estado, junto ao lago da Represa de Barra Bonita, formada pelo Rio Tietê. Hoje, outros 400 sem-terra do acampamento estavam deslocando-se para a fazenda. Segundo o proprietário da fazenda
Osvaldo Calcidoni, a área é pequena, com cerca de 180 hectares, e as terras são produtivas. A juíza Lígia Cristina Berardi Possas, da 1ª Vara da Comarca de Conchas, concedeu liminar de reintegração de posse em favor do fazendeiro. Caso os sem-terra não deixem a fazenda até quinta-feira, a Polícia Militar fará o despejo. A liminar será executada pelo Batalhão da PM, em Botucatu.
O líder do acampamento, João Paulo Rodrigues, que é coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), disse que haverá resistência à desocupação. A nora do fazendeiro, Sônia Calcidoni, contou que os sem-terra destruíram mais de 200 metros de cerca para entrar na propriedade. Segundo ela, a fazenda tem gado, áreas de cultivo de feijão e abóbora, mas a família arrenda terras de terceiros para plantar cana-de-açúcar. "Acho que eles entraram no lugar errado", afirmou. Hoje, segundo ela, vários ônibus chegaram no local onde as barracas estão sendo erguidas, trazendo mais sem-terra. "Vieram também padres e freiras da Pastoral da Igreja da Paulicéia, de Piracicaba", disse.
A fazenda invadida fica entre Piracicaba e Anhembi, a 10 quilômetros dessa cidade. A chegada dos sem-terra assustou os 4 5 mil habitantes de Anhembi. O prefeito Geraldo Conceição Cunha (PSDB) disse que a cidade não tem estrutura para atender a tanta gente. "Se precisarem de médico e escola, não sei o que vamos fazer". Ele entrou em contato com a Defesa Civil e o Governo do Estado, pedindo ajuda.
De acordo com o líder Rodrigues, o MST tem informações de que existem terras devolutas naquela região. O objetivo dos sem-terra é localizar e ocupar essas terras, que estariam tomadas pelos posseiros. Ele afirmou que os acampados não causarão problemas aos moradores da cidade. "Em princípio, só vamos precisar de água". Rodrigues acha que até sexta-feira todas as famílias acampadas em Porto Feliz, que ele calcula em 1.400, terão sido transferidas para o novo acampamento.


