Os manifestantes acampados na Estrada do Colono (Oeste do Paraná) prometem resistir à desocupação que deve ser promovida pelas Forças Armadas a pedido do Ibama. Um dos acampados declarou a uma rádio que o movimento continua firme. Identificando-se como ‘‘Eugênio’’, ele disse que as 100 famílias acampadas têm apoio para o caso de uma nova ação de desocupação.
Eugênio disse que a comunidade acredita que é possível conservar o parque com a estrada aberta, e com o fechamento ‘‘cria-se revolta e oposição’’ por parte da população. ‘‘Nós estamos preparados, queremos a estrada aberta e temos um plano para apresentar. Vamos esperar o Exército’’, garante.
Ontem a União Paranaense de Ambientalistas fez uma manifestação na Boca Maldita, em Curitiba, para anunciar uma campanha internacional de orientação às agências de viagens. A campanha vai ser lançada oficialmente amanhã com a proposta de evitar visitas turísticas ao Parque Nacional do Iguaçu enquanto a estrada não for definitivamente fechada.
A Unesco solicitou oficialmente informações ao governo do Estado sobre o fechamento definitivo da estrada e a recuperação dos danos causados, com prazo de resposta até 15 de abril. Segundo os ambientalistas, o parque pode perder a condição de patrimônio ecológico da humanidade.
O Parque Nacional do Iguaçu recebe cerca de 1 milhão de turistas por ano, gerando R$ 1 milhão. Segundo a ambientalista Teresa Urban, os ecologistas não são contra o turismo, mas ‘‘as visitas são incompatíveis com esta situação de tensão, conflito, destruição e de risco na região’’. Ela explica que a campanha, envolvendo mais de 500 entidades ambientalistas do mundo todo, foi motivada pelas denúncias de que a estrada está sendo usada na rota do tráfico de drogas e de que a circulação de caminhões e carretas está causando danos ao ambiente do parque.

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