Bauru, SP, 19 (AE) - Foi um acampado que assassinou o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Lafayete Antonio de Oliveira, na noite do dia 11, no acampamento da Fazenda Santo Antonio, em Brasília Paulista. João Benedito Camargo, de 38 anos, disse que cometeu o crime porque a vítima dificultou seu relacionamento familiar, dizendo à sua mulher que ele possuía uma amante que estava grávida. Isso teria ocorrido quando o grupo ainda se encontrava no antigo horto da Fepasa, em Bauru. Camargo está preso em Piratininga.
A polícia chegou a Camargo após ouvir outros acampados e descobrir que ele havia viajado para Itaberá, onde mora com a família. Ontem à tarde o acusado foi preso. Com ele foram apreendidos o revólver com que cometeu o crime, duas espingardas
facões e farta munição. Apesar da confissão e do motivo citado, a polícia outras hipóteses para o crime. Segundo o líder dos acampados, Adailton Manoel da Silva, o acusado era uma pessoa estranha, sempre com dinheiro, o que é raro entre eles, e tirando fotografias de todas as pessoas que não eram mostradas a ninguém. Os sem-terra suspeitam que ele possa ser um espião. Junto a seus pertences foi encontrado um recibo de depósito de R$ 5 mil na conta bancária de sua mulher. Desocupação - As 300 famílias que se encontravam acampadas na Fazenda Santo Antônio - onde ocorreu a morte de Lafaiete - deixaram o local pacificamente hoje, diante da promessa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de inspecionar a fazenda para fins de desapropriação. Montaram suas barracas na margem da Rodovia SP-294, em Bauru.

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