Acaba rebelião na cadeia de Pinheiros
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segunda-feira, 08 de dezembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Agência Estado
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TensãoPresos no teto, um dos momentos de maior tensão durante a rebelião realizada após tentativa de fuga Depois de 29 horas de muita confusão, tiroteio, pedradas, tentativas de fuga, interdição de uma pista da Marginal do Tietê e a manutenção de sete carcereiros como reféns, terminou às 13 horas de ontem a rebelião no pavilhão 3 da Cadeia Pública de Pinheiros, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, envolvendo 492 detentos. Cerca de 60 presos foram removidos para delegacias da zona sul e os demais serão transferidos para presídios do interior.
As negociações que haviam sido suspensas às 21 horas de sábado, com a transferência de 30 presos para as celas do 36º Distrito Policial (DP), na Vila Mariana, em troca da libertação de quatro reféns, foram reiniciadas às 11 horas de ontem com o juiz corregedor Francisco José Galvão Bruno.
As conversações duraram uma hora e meia com um grupo de representantes dos presos. Por fim, ficou decidido que mais 30 presos seriam transferidos para delegacias da zona sul. Em troca, os amotinados libertaram três reféns.
A rebelião começou às 8 horas de sábado, após uma tentativa de fuga. Os presos estavam armados e fizeram sete funcionários como reféns. À tarde, houve tiroteios. Cinco presos foram feridos, um deles em estado considerado gravíssimo. Cerca de 80 presos ocuparam o telhado do pavilhão, totalmente destruído. Os presos queriam negociar a transferência para outras cadeias ou o indulto de Natal.
Às 14h30, foram iniciadas as negociações com uma comissão de oito presos. Os presos prometiam libertar os reféns em troca da remoção dos detentos. No fim da rebelião, policiais civis fizeram uma inspeção no presídio destruído e encontraram revólveres de brinquedo, pedaços de paus e ferros que os revoltosos usaram como armas.
Dos cinco pavilhões do Cadeião de Pinheiros sobrou apenas um, onde funciona o presídio feminino, uma vez que os demais foram destruídos em várias rebeliões. A cadeia, inaugurada no governo de Luiz Antônio Fleury Filho como um presídio modelo, será desativada.
Invasão e morte Na tentativa de resgatar dois presos que estavam sendo autuados em flagrante no 2º Distrito Policial (DP) de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, cinco homens armados de metralhadoras invadiram aquela delegacia, às 5 horas de ontem. Disparando as armas aleatoriamente, acabaram matando o soldado da Polícia Militar Fernando Ribeiro da Cruz, lotado na 2ª Companhia do 6º Batalhão da PM (BPM). Frustrado o resgate dos presos, quatro invasores fugiram, mas um foi baleado. Está internado no Hospital Central de São Bernardo.
Edson Ferreira Correia e Flávio Rogério Aleixo Menezes, moradores no Jardim Campanário, em Diadema, também no ABC paulista, foram apanhados na Vila Paulicéia, em São Bernardo do Campo, com um veículo roubado. Eles foram presos em flagrante. Todo o trabalho de flagrante havia terminado, e a delegada de plantão, Rosemar da Silva Cardoso, estava preparando o relatório na pequena sala dos operadores em telecomunicação, quando os cinco homens, em uma perua Kombi e um Tempra vermelho, chegaram. Eles invadiram a delegacia de metralhadora em punho e berrando. No mesmo instante, passava por ali um carro da PM. Atraídos pelos gritos, os policiais correram para ajudar. O soldado Fernando Ribeiro da Cruz, assim que entrou, recebeu vários tiros pelo corpo todo.


