Acaba outra rebelião na Casa de Detenção de SP
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Marcelo Faria de Barros, da Agência Estado 
SÃO PAULO - Com camisetas cobrindo o rosto e armados com espadas de ferro e estiletes, um grupo de 13 presos da Casa de Detenção de São Paulo, exatamente às 17 horas de ontem, começou a entrar num caminhão do presídio. O destino: penitenciária da cidade de Avaré, no interior do Estado. Era o fim de mais um motim no maior presídio da América do Sul, o terceiro nos últimos 35 dias e a 57ª rebelião acontecida em 1997 no Estado.
Foram sete horas de tensão. Na saída do caminhão para Avaré, os detentos jogaram parte de suas armas embaixo do caminhão. Três funcionários, porém, foram levados pelos prisioneiros como garantia de vida. As vítimas deveriam ser soltas na chegada a Avaré.
Os 13 presos dos pavilhões 7 e 9 aproveitaram uma consulta marcada para as 10 horas de ontem com psicólogos e médicos no Pavilhão 4 e iniciaram o motim, tomando como reféns esses profissionais e outros funcionários do setor de saúde. Minutos depois, houve uma troca de parte dos reféns por 15 agentes penitenciários.
O diretor de expedição do setor de sáude da Casa de Detenção, Hugo João da Silva, foi uma das pessoas que ficaram em poder dos detentos durante as sete horas. Funcionário há cinco anos do presídio, ele nunca tinha vivido essa situação.
Eu estava no quinto andar quando soube que o Pavilhão 4 estava nas mãos dos presos, contou. Em seguida, vi os detentos com estiletes apontados para o pescoço dos funcionários, subindo as escadas do prédio e ameaçando todos de morte. Foi a pior coisa que já aconteceu comigo, assegurou.


