AC faz operação especial de proteção a 25 testemunhas
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Fausto Macedo e Gilse Guedes 
Rio Branco, 18 (AE) - A Procuradoria-Geral de Justiça do Acre realizou hoje, em Rio Branco, uma operação especial de proteção a 25 testemunhas. São homens, mulheres e menores que se dispuseram a contribuir com a Justiça nos processos abertos contra o ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC) - acusado de liderar um esquadrão de extermínio com ramificações em quase todo o Estado - e que estão deixando a capital com destino a outras localidades.
Os detalhes do êxodo foram acertados no sábado (16), durante reunião do núcleo especial de promotores - 12 ao todo -, empenhado na apuração envolvendo o ex-parlamentar e coronel reformado da Polícia Militar. No encontro, realizado a portas fechadas na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, decidiu-se que os nomes das testemunhas não serão revelados.
Nas ações penais em que elas prestaram declarações, deverá ser decretado segredo de Justiça. Os promotores não querem expor as testemunhas porque temem que elas possam ser eliminadas a mando de Pascoal, que está preso no quartel do Batalhão de Operações Especiais (Bope), em Brasília.
O plano das autoridades previa o embarque do grupo ainda hoje à noite no Aeroporto de Rio Branco. Foi mobilizada uma tropa de elite - formada por agentes federais, civis e policiais militares - para fazer a escolta. O procurador-geral, Edmar Monteiro Filho - que está sofrendo ameaças de morte -, designou um promotor para acompanhar a viagem.
Serão gastos cerca de R$ 40 mil na primeira etapa da missão. A verba foi liberada pelo governo do Acre. Outros recursos serão pedidos ao Ministério da Justiça.
Entre as testemunhas, há cinco pistoleiros que confessam ter eliminado desafetos de Pascoal - em troca de informações avaliadas como "decisivas", eles serão beneficiados pela Lei 9.807, ou Lei da Barganha, que autoriza a redução de penas impostas aos réus que confessam delitos e incriminam outro suspeito. "O relato deles é determinante porque desestrutura o grupo", analisa um dos promotores.
Com base no depoimento dos pistoleiros, o Ministério Público (MP) do Acre preparou novas quatro denúncias contra Pascoal - entre outras atrocidades, o ex-parlamentar teria torturado até a morte um menino de 13 anos, que teve o rosto e o peito queimados com ácido. Para contar o que sabem, os executores pediram proteção de vida também para os familiares, até mesmo mulheres, irmãos, mães e dois bebês. Os promotores aceitaram a proposta, mas advertiram os ex-integrantes do bando de Pascoal que ficarão recolhidos em presídios das cidades onde irão desembarcar.
Hoje à tarde, 11 policiais militares (soldados e oficiais) do Acre, que teriam ligações com o grupo comandado por Pascoal, foram trasferidos do 1.º Batalhão da PM para a sede da 3.ª Companhia do Distrito Federal. Eles estavam reclamando das "péssimas instalações" dos alojamentos em que se encontravam.
Outra ramificação da investigação aponta para o deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), o "Zé Alex", que assumiu a vaga de Pascoal. Hoje, o deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) disse que ouviu diversas testemunhas em Rio Branco que apontam "indícios de envolvimento" de Aleksandro com o narcotráfico. Biscaia observou, no entanto, que, juridicamente, esses depoimentos não servem como prova - aqueles que foram ouvidos não querem assumir oficialmente as denúncias. Biscaia foi ao Acre acompanhado de outros parlamentares da CPI do Narcotráfico. Foi tomado o depoimento de um suposto assassino. Para fazer revelações, ele "exigiu muitas coisas" - não quer sair do Acre e nem ser processado pelos crimes que praticou, além de pedir ajuda financeira.
Amanhã (19), os líderes dos partidos reúnem-se com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), para discutir a prorrogação da CPI por mais 90 dias.


