Abuso sexual é o 2º maior tipo de violência contra crianças
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terça-feira, 22 de maio de 2012
Rubens Chueire Jr. <br> <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um levantamento divulgado ontem pelo Ministério da Saúde aponta que a violência sexual é o segundo maior tipo de violência cometida contra crianças de 0 a 9 anos no Brasil. O abuso sexual representa 35% do total de notificações referente a esta faixa etária. As denúncias de negligência ou abandono somam 36% do total, e 29% são referentes a outros tipos de violência. A conclusão foi baseada na análise de 14.625 notificações de violência doméstica, sexual, física e outras agressões que chegaram ao Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (Viva) em 2011.
Na faixa etária de 10 a 14 anos, 3,3% das notificações são referentes à violência física; 10,5% são de abuso sexual; 13,3% são denúncias de violência psicológica; e 72,9% correspondem a outros tipos de agressões.
Já nos casos envolvendo adolescentes - entre 15 e 19 anos -, a violência física responde por 28,3% das notificações que chegam ao Viva, 5,2% são referentes a casos de violência sexual; 7,6% são de violência psicológica, e 58,9%, de outras formas de agressão.
O Paraná responde por 16,5% de todas as notificações registradas no Viva em 2011 (2.418). Deste total, a maioria (37,5%) são de agressões registradas contra crianças de 0 a 9 anos, com 908 notificações. Outros 36,3% são de violência sofrida por adolescentes de 15 a 19 anos, e 26,2% na faixa etária entre 10 e 14 anos. Dos números estaduais, 26,4% (640) são especificamente sobre abuso sexual sofrido por vítimas de todas as faixas etárias pesquisadas.
Com relação às vítimas com idade entre 0 e 9 anos, a quantidade de casos notificados ficou em 212 (33,2%). Dos 10 aos 14 anos, foram notificados 250 casos (39%) e, de 15 a 19 anos, o total de casos foi de 178 (27,8%). As demais formas de agressão notificadas pelo Paraná não foram detalhadas pelo MS.
Os números do Viva, que foi implantado em 2006, são coletados por meio da Ficha de Notificação/Investigação individual de violência doméstica, sexual e/ou outras violências, e é registrada pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Qualquer caso, suspeito ou confirmado, deve ser notificado pelos profissionais de saúde de todo o Brasil.
''Estamos falando de um problema de saúde pública, então todos as notificações são essencias para o desenvolvimento de políticas preventivas e de programas de combate à violência contra crianças'', destacou Marta Silva, coordenadora da área técnica de Vigilância e Prevenção de Violência e Acidentes do Ministério da Saúde.
Ela destaca que a quantidade de notificações vem crescendo no Brasil, assim como também no Paraná. Entretanto, aponta Marta, isto não quer dizer que cresceu o número de vítimas, mas que os profissionais de saúde estão mais bem preparados para repassar informações sobre os casos. Ela ressaltou ainda que uma mesma criança pode ter sofrido mais de um tipo de violência, o que faz com que algumas notificações sejam referentes a uma mesma vítima, que sofreu mais de uma agressão, seja física, psicológica ou sexual.



