Nova York, 08 (AE) - Na América Latina 33% das mulheres sofrem abuso sexual entre os 16 e 49 anos e pelo menos 45% delas são objeto de ameaças, insultos e destruição de bens pessoais. Em algum momento de suas vidas, metade das latino-americanas é vítima de alguma violência.
Essa dura realidade foi lembrada nesta segunda-feira (08) durante a celebração do Dia da Mulher na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. A violência de gênero, enfatizada em uma videoconferência global organizada pelo Fundo da ONU para o Desenvolvimento da Mulher (Unifem), tornou-se o tema mais debatido no mundo por ocasião da comemoração.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou em seu discurso que a violência contra as mulheres é uma das mais perversas violações aos direitos humanos. "Enquanto a violência de gênero continuar, não poderemos afirmar que progredimos em direção à igualdade, desenvolvimento e paz."
A subdiretora para a América Latina do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, Aparna Mehorta, declarou que "as mulheres nesse contexto estão mais seguras na rua do que em suas casas". Aparna lembrou que é difícil saber com exatidão o número das vítimas de violência doméstica ou intrafamiliar, pela falta de estatísticas. "As pessoas não informam sobre o abuso por razões culturais, pessoais e os hospitais não registram os dados."
Ela ressaltou, no entanto, que diversos países já conquistaram alguns progressos. No Brasil há as delegacias da mulher. No México, com média de 82 estupros por dia, a simples mudança do espaço físico para oferecer maior privacidade à mulher que vai falar com o juiz causou 15% de aumento das denúncias.
Um estudo do Conselho Europeu revela que uma em cada cinco mulheres é vítima de violências ligadas ao sexo.
Outro advertência foi feita pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Mulheres e meninas tendem a transformar-se nas principais vítimas do vírus da aids nos países em desenvolvimento: hoje, 43% dos 33 milhões de pessoas que vivem em todo o mundo com o vírus da aids são do sexo feminino.

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