Abuso de atestados médicos preocupa
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terça-feira, 02 de outubro de 2007
Rodrigo Lopes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- O uso abusivo de atestados médicos para justificar faltas ao trabalho foi discutido ontem, em Curitiba, em um seminário que reuniu profissionais da área da saúde, advogados e gerentes de recursos humanos. No centro das discussões estavam não apenas os diferentes métodos usados por trabalhadores para conseguir os atestados, mas também a concessão indiscriminada do documento por parte de médicos.
Para Luiz Sallim Emed, diretor-médico do Hospital São Vicente, que promoveu o evento, a discussão se faz necessária pelos abusos observados principalmente pelas empresas. ''O afastamento do trabalho por atestado é um direito do cidadão, mas temos verificado abusos. Imagine uma empresa com 180 funcionários. Se cada um deles falta um dia porque conseguiu um atestado, equivale dizer que a empresa ficou com um funcionário parado durante seis meses'', exemplifica.
Para Emed, duas questões devem ser destacadas. A primeira é a dificuldade dos médicos para constatar se aquilo que o paciente afirma estar sentindo realmente é verdade. ''Se uma pessoa diz que está com uma dor de cabeça muito forte e que não consegue trabalhar por causa disso, o médico tem que acreditar. É difícil detectar aqueles que estão tentando enganá-lo'', diz. A segunda, no entanto, diz respeito aos médicos. ''Eles não podem banalizar a oferta de atestados porque não tem como saber o impacto que a ausência do trabalhador causa na empresa'', justifica.
Outro problema, de acordo com Emed, é o aumento das falsificações de atestados. ''No CRM (Conselho Regional de Medicina), percebemos este ano um aumento em 30% no número de casos de atestados falsos'', conta. ''Muitas vezes, o cidadão manda fazer um carimbo com o número de CRM de algum médico e confecciona um atestado falso'', completa.
Para o médico do trabalho Ruddy Facci, que também participou do seminário, a questão do uso abusivo de atestados passa por uma questão cultural. ''A segunda-feira de Carnaval, por exemplo, não é feriado, mas ninguém trabalha. Se as pessoas fossem obrigadas a trabalhar, choveriam atestados nas empresas. Essa é uma questão cultural do brasileiro, que não tem solução a curto prazo'', diz.


