ABTO pressiona por revisão de lei
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quarta-feira, 27 de setembro de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) quer a revisão da lei federal que prevê que todos os brasileiros tenham que definir em vida se querem ser doadores. De acordo com o médico Júlio Cesar Wiederkehr, membro da comissão de fígado da ABTO e coordenador do transplante de fígado do Hospital Universitário Evangélico, em Curitiba, o índice de não doadores no Paraná é de 30%. Isso porque a pessoa tem que se definir em vida. E às vezes faz isso muito cedo e não tem como voltar atrás. A não ser que refaça todos os seus documentos, explicou. Na opinião dele, a doação deveria voltar a ser condicionada ao desejo da família.
A proposta de alteração da lei federal, considerada positiva pelos médicos no que diz respeito a regulamentação do transplante de órgãos e da lista de espera, já foi encaminhada para o Ministério da Saúde. Segundo o médico Eduardo Carone, coordenador da ABTO, a expectativa é que com a alteração do dispositivo, a captação de órgãos aumente em todo o País. Hoje a deficiência é muito evidente na captação dos órgãos, afirmou.
Os dados nacionais mostram que a necessidade atual de transplantes de rim, por exemplo, seria de 60 por cada milhão de habitantes/ano. No Brasil, são feitos apenas 15 transplantes por milhão de habitante/ano. Nos demais transplantes, a relação não é diferente. No caso do fígado, são necessários 20 transplantes por milhão de habitante/ano e são realizados apenas 2,3.
As principais causas do número de doadores não ser maior no Paraná são: a não autorização familiar (37%); contra indicação (25%); morte encefálica (3%); e infra-estrutura não adequada (2%).
Além da dificuldade de captação de órgãos, foi destacada a estrutura hospitalar brasileira. Os processos desde a identificação do doador até o diagnóstico de morte cerebral tem que ser feitos pelos hospitais. Isso tem que acontecer de forma ágil para que haja captação. No entanto, a demora tem feito com que muitos órgãos sejam perdidos, contou Wierderkehr.
Nas regiões Norte e Nordeste, a dificuldade de captação e transplante de órgãos é ainda maior. Atualmente, 83% dos transplantes ocorrem nas regiões Sudeste e Sul. Nestas regiões, a quantidade de população que precisa de transplante é de 52% do total de todo o País.


