ABTA critica modelo de TV a cabo no Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de outubro de 1999
por Renata de Freitas 
São Paulo, 04 (AE) - O presidente da Associação Brasileira de Telecomunicações por Assinatura (ABTA), Alexandre Annemberg, criticou hoje o modelo de TV a cabo que está sendo implementado no Brasil, argumentando que várias operações na maioria das cidades tornam o negócio inviável. Ele falou na abertura da ABTA 99.
"Uma rede de cabos só se viabiliza economicamente se tiver um mínimo de penetração, ou seja, se tiver um mínimo de assinantes por quilômetro", afirmou Annemberg. "Um índice razoável para justificar a construção de uma rede é de cerca de 40% de penetração, pois bem, em São Paulo, existem duas grandes redes superpostas e nenhuma delas atinge mais do que 20%", declarou.
A carga tributária sobre a televisão por assinatura é outro item que tem provocado a ira dos empresários. Eles alegam que 34% de uma assinatura de R$ 55 são encargos tributários. Com uma proposta de cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a programação, esse custo tributário poderá chegar a 54%. Hoje, um terço da receita das operadoras de TV paga vai para impostos diretos e indiretos, argumentam. O diretor geral da Globocabo, Moysés Pluciennik, criticou ainda a demora do Ministério das Comunicações e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em regulamentar o novo serviço de Internet em banda larga. Segundo ele, o pedido da Globocabo pela regulamentação desse serviço foi feito há dois anos e meio.
A Anatel deve aprovar a regulamentação no início de novembro."Demorar para legislar pode matar essa indústria", disse. "É melhor errar do que não fazer porque o custo de consertar é menor", afirmou. O conselheiro da Anatel Francisco Tenório Perrone informou que a tendência é que as regulamentações se apliquem mais a questões econômicas do que tecnológicas.


