São Paulo, 05 (AE) - O índice de abstenção da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) triplicou. Na prova de hoje (a segunda da primeira etapa), o total de faltosos na capital chegou a 10,62% e no interior, a 7,8%. Na prova anterior
realizada no dia 21, essa taxa foi de 3,3%. Hoje, os candidatos (quase 130 mil, descontada a abstenção) fizeram prova de Matemática, História, Geografia e Biologia.
Em alguns locais, os faltosos chegaram a 14%, um dos maiores índices já registrados no vestibular mais concorrido do País, informa o coordenador da Fuvest, Atílio Vanin.
A abstenção, diz Vanin, pode estar relacionada ao resultado da primeira prova. Muitos candidatos, ao perceberem que não conseguiram um número mínimo de acertos, não compareceram ao exame seguinte. "Não contei os acertos da primeira prova", diz Fernanda Ramos, de 18 anos, candidata ao curso de direito. "É melhor conferir tudo junto", diz.
Para Vanin, mesmo quem não foi bem no primeiro exame deveria continuar tentando. "Estou precisando fazer no mínimo 68 pontos, mas não desisti", diz Juliana Anjo, de 18 anos, candidata a uma vaga de medicina. Como teve pontuação baixa para esse curso na primeira prova, ela precisa "dar uma virada" para obter o mínimo de 107 pontos para passar para a segunda fase.
O comparecimento em massa na primeira fase deveu-se, segundo a coordenação, aos pontos da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O desempenho no Enem comporá 20% do resultado na primeira fase. Muitos candidatos aguardavam a prova de Matemática, considerada uma das "zebras", para conferir o resultado das duas provas. No dia 21, os 149.240 inscritos fizeram provas de Português, Inglês, Física e Química.
Antes da prova, a ansiedade dos alunos era em relação a Matemática e História. No caso da primeira, os candidatos costumam ter medo de esquecer fórmulas. Já em História, o tamanho dos textos das perguntas e respostas é o que mais preocupa. "Quando vejo os textos enormes, fico apavorada", diz Renata Rodrigues, de 18 anos, que tenta terapia ocupacional.
A maioria dos candidatos ouvidos pela reportagem disse que a prova de Matemática era a mais difícil. Exigia fórmulas e conhecimentos básicos, que, por serem considerados simples, não foram os mais estudados. Já História surpreendeu com textos curtos, mas com uma linguagem considerada complicada. Para Érika Ribeiro, as alternativas eram muito semelhantes. "Uma única palavra mudava completamente a resposta."
No prédio da Faculdade de Economia e Administração da USP, apenas um candidato se atrasou. Alex Rorato, de 23 anos, chegou dois minutos após o fechamento do portão por causa de um defeito no carro.

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