O ministro da Justiça, Iris Rezende, afirmou ontem que pedirá informações ao Tribunal de Justiça do Rio sobre o julgamento do ex-policial militar Nélson Cunha, um dos acusados da chacina da Candelária, absolvido na semana passada. Réu confesso, Nélson Cunha fora condenado a 261 anos de prisão, em júri anterior, na semana passada. A chacina aconteceu em 23 de julho de 1993. Nela, oito meninos de rua foram mortos.
Rezende estranhou as diferenças entre as duas sentenças. ‘‘A população brasileira está sem entender’’, disse o ministro da Justiça. ‘‘Qual é o corpo de jurados que está correto, o do primeiro julgamento ou o do segundo? A Justiça está a dever à opinião pública brasileira uma explicação’’, afirma. O ministro Rezende disse que o júri reflete a sociedade brasileira, mas lembrou que, segundo as leis do Brasil, a sociedade é competente para julgar os crimes de homicídio, por intermédio do júri popular.
O ministro afirmou também que não sabe se entre o primeiro júri e o segundo foram juntadas ao processo novas provas, que pudessem mudar tão radicalmente o julgamento. ‘‘Eu acho que a população brasileira ficou um tanto estarrecida com essa decisão tão radical’’, afirmou, referindo-se à absolvição de um réu confesso.

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