Brasília, 02 (AE) - O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista da Costa, disse hoje ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, que a indústria de brinquedos vai resistir à investida dos fornecedores de matérias-primas que estão tentando reajustar suas tabelas de preços em até 25% em decorrência da desvalorização cambial. Segundo ele, o setor tem condições de enfrentar a pressão dos fornecedores, especialmente dos fabricantes de produtos quimícos, graças à sazonalidade do ramo. "Este não é um momento de compras para o setor", afirmou, explicando que o pico das vendas ocorrem no Natal e no Dia da Criança.
O presidente da Abrinq informou ao ministro que a desvalorização cambial propiciará aos fabricantes de brinquedos um crescimento de cerca de 15% nas vendas no mercado interno este ano, em função da menor colocação dos artigos importados, que ficaram mais caros. A estimativa, segundo informou ao ministro, é de que as vendas do setor, que no ano passado foram de R$ 850 milhões, passem para R$ 1 bilhão, com a produção de 240 milhões de brinquedos.
As exportações, que ocorrem, na maior parte para a América Latina, também deverão passar dos US$ 15 milhões registrados no ano passado para US$ 25 milhões neste ano. Batista foi recebido por Celso Lafer quase um mês após o ministro tomar posse. Após a solenidade de posse, no dia quatro de janeiro passado, uma declaração do presidente da Abrinq de que os empresários haviam ficado frustrados com a indicação de Lafer porque preferiam "alguém quebrador de louças", irritou o ministro que chegou a responder ao empresário que "quem quebra louça fica sem prato para comer".
Hoje Batista reiterou que o clima de constrangimento com o ministro foi decorrência de uma série de mal entendidos. "Este incidente está totalmente superado e estamos preocupados agora é em produzir", afirmou em entrevista concedida ao lado dos dois novos secretários do Ministério do Desenvolvimento: de Política Industrial, Comércio e Serviços, Helio Mattar, e de Comércio Exterior, Mário Marconini.
O presidente da Abrinq informou ainda que o governo e o setor estão atentos para coibir o contrabando e o subfaturamento de brinquedos que entram no país. Segundo ele, os importadores - com exceção das grandes empresas - declaram apenas 40% do valor dos produtos que compram no exterior, enquanto a declaração quantitativa das importações abrange apenas 20% das aquisições. Apesar desses dados, Batista disse que essas práticas ilegais vêm reduzindo. Em 1994, o contrabando representava 25% dos brinquedos comercializados no País, enquanto hoje este percentual corresponde a 5%.
Sobre o regime de salvaguardas que os fabricantes de brinquedos usufruem desde 1996, quando a alíquota do Imposto de Importação foi elevada para 70% para proteger os empresários da invasão de produtos asiáticos, e que acaba em dezembro deste ano, Batista disse que se o setor julgar necessário ampliar esse benefício, irá discutir o assunto com o governo. Por esse regime, essa alíquota de 70% para o II foi sendo gradativamente reduzida - 63% em 1997; 49% em 1998; e 35% este ano - enquanto as empresas tiveram que desenvolver um programa de aumento de competitividade. Este programa, conforme Batista, permitiu que a substancial melhora da qualidade dos brinquedos brasileiros. Durante os três anos do programa, 600 milhões de brinquedos já foram certificados, informou o presidente da Abrinq.

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