LondrinaA Vigilância Sanitária interditou ontem um abrigo clandestino de idosos que funcionava no Conjunto Parigot de Souza, Zona Norte de Londrina. A casa de repouso Lírio dos Vales não possuía alvará de licença para prestar o serviço e desobedecia várias exigências legais do ponto de vista da saúde pública. O destino dos abrigados é incerto.
De acordo com o coordenador da Vigilância, Rogério Lampe, os problemas encontrados durante vistoria feita na tarde de ontem - após denúncia encaminhada à Secretaria Municipal do Idoso - vão desde estrutura física inadequada até má conservação de comida e remédios. ''Achamos, por exemplo, vários alimentos congelados sem identificação de origem, cigarro guardado junto com comida, medicamentos vencidos e sem controle. São condições sanitárias que não são recomendadas nem para domicílios, que dirá para um abrigo'', apontou.
Os funcionários da prefeitura também constataram obstáculos que ameaçavam a segurança dos idosos, como degraus na cozinha e rampas feitas sem material antiderrapante. Infiltrações, sujeira e quartos com espaço insuficiente também constaram no relatório. Ainda segundo a Vigilância, o lar não dispunha de profissionais especializados para cuidar dos internos. O local foi imediatamente interditado. Os responsáveis foram autuados e podem ser multados em até R$ 15 mil.
A secretária do Idoso de Londrina, Cristina Coelho, disse que não teve acesso a fichas dos moradores, mas registrou a presença de pelo menos 13 idosos na casa. Eles dividiam espaço com abrigados adultos, o que também não é recomendado, conforme Cristina. ''O Ministério Público já está ciente. Demos prazo até amanhã (hoje) para que façam contato com as famílias dos idosos e na sequência faremos os encaminhamentos necessários'', declarou.
A proprietária do abrigo, Inês Granado, que já teve outro lar interditado no mesmo bairro, disse que tentou várias vezes obter licença na prefeitura, ''mas cada vez que eles falam que falta alguma coisa''. Revoltada, ela mostrou a dispensa cheia e cartões de uma clínica onde os idosos são atendidos, para provar que são bem tratados.
''Cuidamos de pessoas rejeitadas e até agredidas pelos familiares, abandonadas, depressivas. Faço isso porque gosto e a prefeitura jamais me deu uma mão'', rebateu. Ela acrescentou que recebe ajuda de voluntários e usa dinheiro da aposentadoria dos idosos para cobrir as despesas do abrigo. A reportagem tentou falar com os abrigados, mas a maioria não queria ou não tinha condições de conversar. Apenas uma senhora declarou que ''a comida é boa e ninguém judia''.
Atualmente, de acordo com Cristina, existem em Londrina cinco casas de repouso particulares e quatro Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) conveniadas à prefeitura, que atendem 179 pessoas.

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