Abras prevê participação menor de importados no Natal deste ano
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Mônica Ciarelli e Maria Fernanda Delmas 
Rio, 13 (AE) - A participação dos produtos importados deve cair pela metade no primeiro Natal após a desvalorização cambial. O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, estima que os importados vão responder por apenas 1% das vendas totais do setor, contra os 2% verificados no ano passado. "As empresas estão sendo mais seletivas e comprando no exterior apenas produtos que não podem ser substituídos por similares nacionais", explicou Araújo durante a abertura da 33ª Convênção Nacional de Supermercados - Abras 99, no Rio.
O encolhimento do mercado de importados animou alguns setores que estavam sendo prejudicados pela concorrência internacional. A Perdigão espera um crescimento de 10% nas vendas de chester e de 20% nas de presunto tender e pernil durante as festas de fim de ano. "A desvalorização reanimou o mercado interno e agora estamos recuperando espaço", afirmou o diretor de relações do mercado da empresa, Ricardo Menezes.
Apesar do otimismo da Perdigão, Araújo acredita que o setor vai encerrar o ano com uma queda nas vendas em relação ao ano passado. Ele não quis estimar o valor, mas afirmou que o volume será "um pouco menor" em função do cenário econômico. A Abras espera repetir o faturamento de 1998, quando movimentou R$ 55,5 bilhões. Os números do setor até agosto serão divulgados na quinta-feira, último dia da feira.
Desde janeiro, o setor de massas também tem verificado queda nas vendas dos produtos importados. A participação das massas estrangeiras na produção já tinha voltado aos níveis normais depois da explosão de vendas em 1995 e 1996, mas depois da desvalorização caiu mais. "A importação foi 37% menor de janeiro a maio", afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Aluisio Quintanilha. Em maio, a queda foi de 93%. Mas Quintanilha prefere não trabalhar com esse patamar de queda para o resto do ano porque não tem números mais recentes. "Maio pode ter sido atípico".
No comércio da matéria-prima da indústria de massas, entretanto, a desvalorização não provocou mudanças porque o Brasil não tem trigo suficiente para abastecer o mercado nacional. O setor importa historicamente 80% do trigo que consome. "O problema agrícola no Brasil é muito sério, e não se resolve plantar hoje para colher amanhã", disse o presidente da Abima. Também há o problema da produtividade. "Muitas vezes o trigo nacional é mais caro do que o estrangeiro". Os preços do trigo aumentaram 40% a 45% desde janeiro e o preço do macarrão, 18% em média.


