O reajuste de 5,42% concedido pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANSS) aos planos de saúde não agradou à Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge). Segundo a entidade, cujos dirigentes se reuniram ontem em Curitiba, o reajuste ideal seria de até 10%. ‘‘O governo faz muitas ingerências nas empresas privadas e esse reajuste linear, igual para todos, não observa a estrutura econômico-financeira das empresas’’, afirmou o presidente nacional da Abramge, Arlindo de Almeida. Nos próximos dias será encaminhado um protesto da associação para a ANSS.
O reajuste liberado não será repassado aos médicos conveniados com os sistemas alternativos. ‘‘Quem irá decidir isso serão os empresários, que por causa dos impostos excessivos precisam fazer reengenharias para conter gastos’’, afirmou Almeida. Os impostos a que ele se refere são o Cofins e a Contribuição sobre Autônomos, além de uma taxa para a ANSS.
O valor mais baixo de um plano de saúde individual é de R$ 56. No Paraná, a inadimplência atinge cerca de 30% dos 458 mil segurados por 25 operadoras e é considerada também uma das causas para a má condição financeira de algumas empresas. A Abramge negou reajustes anteriormente para 193 associados.
O cabeleireiro Osmário Caetano da Silva, 50 anos, é usuário da Unimed e reclamou da alta. Silva ficou com os movimentos paralisados da cintura para baixo e desde o mês passado não pode mais ir às sessões de fisioterapia. A operadora cortou seu transporte alegando que ele não tinha mais direito, somente em casos de emergência. ‘‘Reclamei na Ouvidoria da empresa e me falaram que não poderia mais utilizar veículos.’’
Segundo a funcionária da Ouvidoria, o transporte foi cortado desde que acabou a terceirização.

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