Abranet diz que guerra de provedores é "fictícia"
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 10 (AE) - Os provedores de acesso gratuito à Internet estão promovendo uma guerra "fictícia" pela liderança do mercado porque não houve ainda crescimento no número de internautas, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviço e Informação da Rede Internet (Abranet), António Tavares. Para o presidente da Associação de Mídia Interativa (AMI), Antônio Rosa, os números fantásticos de cadastrados nos serviços gratuitos não têm nenhum valor para atrair publicidade.
A NetGratuita e o iG anunciaram recentemente 830 mil e 420 mil cadastrados, respectivamente, em cerca de duas semanas de atividades. Os números surpreenderam tanto os demais provedores quanto o mercado publicitário. O maior provedor de acesso pago do País, o UOL, tem 630 mil assinantes. Em todo o Brasil, segundo o Ibope, há apenas 3,3 milhões de internautas.
"É uma guerra fictícia porque ainda não houve um real crescimento do mercado Internet, o que só vai se dar com o aumento da base de computadores e de linhas telefônicas", afirmou Tavares. "O que está acontecendo são informações desencontradas", comentou. Segundo Rosa, o acesso grátis já atraiu alguns novos usuários, mas concorda com o presidente da Abranet que a grande maioria de cadastrados é de curiosos assinantes dos serviços pagos.
Como o mercado de Internet não é regulamentado, não existe até hoje a obrigatoriedade de verificação dos dados divulgados. Rosa disse que, numa tentativa de disciplinar o mercado, a unidade interativa do Instituto de Verificação de Circulação (IVC) divulgará em março o primeiro relatório de 12 provedores de acesso pago que já solicitaram auditoria de seus números. "Temos extrema necessidade de estabelecer critérios", declarou Rosa. Algumas estratégias adotadas pelos provedores de acesso gratuito explicam o alto volume de cadastramentos. A NetGratuita, por exemplo, ofereceu aos usuários do serviço de e-mail gratuito BOL (as duas empresas são do grupo UOL) o cadastro com o mesmo username e senha. Segundo o diretor-geral da NetGratuita, Victor Ribeiro, os usuários do BOL estão na casa do milhão, o que indica que nem todos aceitaram a oferta.
Já no caso do iG, o cadastramento é feito com nome e senha padrão, inibindo a identificação de cada usuário. A Terra Livre, serviço gratuito do portal Terra, não divulgou até hoje o número de inscritos.
"O pageview ainda é a melhor métrica", afirmou Rosa, referindo-se ao número de páginas visitadas em um site. Segundo o presidente da AMI, a divulgação do número de usuários funciona apenas como uma estratégia de marketing. "É válida para dimensionar a dominância, mas como suporte para publicidade não vale nada", afirmou.


