Curitiba - Em um ano, a capacitação de policiais civis e militares do Rio Grande do Sul, para uma nova abordagem policial a profissionais do sexo, zerou a violência policial contra travestis em Porto Alegre. O projeto foi apresentado ontem no IX Entlaids por dois policiais militares, um delegado e uma comissária da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, além da secretária da Justiça de Porto Alegre.
O projeto foi idealizado pelo delegado da Polícia Civil, Paulo de Tarso Castro Araújo. O curso é dado por professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul a policiais militares, civis e até agentes penitenciários.
Com a humanização da abordagem, os policiais passaram a conhecer pelos nomes os travestis que atuam nas ruas de Porto Alegre e vice-versa. Segundo o major Roberto Kraid Pereira, da Brigada Militar de Porto Alegre, os travestis conquistaram mais segurança e a polícia acabou com a sujeira nas ruas, as algazarras e atentados ao pudor.
O major conta que a maioria das ocorrências é gerada por conflitos entre travestis e seus clientes, que não pagam o programa ou pagam menos do que o combinado, por exemplo. ‘‘Antes, o travesti era sempre considerado culpado por roubo. Agora, somos mais diligentes, pois conhecemos a realidade deles’’, explica.
Os policiais envolvidos no projeto contam que sofrem discriminação dentro da própria corporação. ‘‘Somos motivo de chacota. Em 1998, cheguei a ser transferido por desenvolver um projeto semelhante. Mas agora, felizmente, conseguimos avançar’’, conclui.
Convidado, o secretário de Segurança Pública, Justiça e Cidadania do Paraná, José Tavares, não compareceu ao evento, assim como nenhum representante da PM. (M.K.)

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