Abordagem gera tragédia em Cornélio Procópio
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Com 46 mil habitantes e apenas quatro homicídios registrados em 2007 - nenhum causado por arma de fogo - Cornélio Procópio é considerada pelo delegado-chefe da cidade, Osnildo Carneiro Lemes, como a mais tranquila entre as várias que atuou em aproximadamente 30 anos de trabalho policial. Porém, na última sexta-feira, por volta do meio-dia, a cidade registrou cenas das mais violentas em uma rua movimentada da região central.
O soldado da Polícia Militar (PM) Rafael Cacciolari, 24 anos, foi atingido por um tiro na cabeça pela sua própria arma, uma pistola .40. A arma foi disparada por Valdir Batista da Silva Júnior, 24, conhecido pela polícia como ''Bilinha'', que estava sendo abordado por Cacciolari e pelo seu colega, o também soldado Rodrigo Salvático, 23.
Ainda com o momento de terror vivo na memória, uma senhora que presenciou o crime e teme ser identificada contou à reportagem da FOLHA que o suspeito caminhava pela rua Nossa Senhora do Rocio quando foi abordado pelos policiais. Ainda de acordo com a testemunha, em um primeiro momento ele obedeceu às ordens dos soldados, mas tentou fugir logo depois. ''Nesse instante agarraram o rapaz e começaram a espancá-lo. Bateram muito. Não precisava daquilo. Apanhando demais, ele (Valdir) tirou a arma do coldre do soldado e atirou propositalmente'', relatou a senhora.
O tiro acertou a cabeça do policial, que foi encaminhado para a Santa Casa de Misericórdia de Cornélio Procópio, onde permanece internado. De acordo com familiares de Cacciolari, ele está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em coma profundo. O hospital não fornece informações sobre o paciente à imprensa.
Após atingir o PM com um tiro, Bilinha continuou tentando fugir. Um homem que passava pela rua, identificado pela Polícia Civil como Thiago Santana Pinto, ajudou o soldado Salvático a finalmente imobilizá-lo. ''O Bilinha já tem diversas passagens pela polícia por furto. Quando menor, chegou a ser internado'', contou o delegado.
No hospital, familiares do policial baleado fazem vigília, na esperança de que ele melhore. Segundo a mãe de Rafael, Neide Cacciolari, seu filho começou a trabalhar como policial em 2006 e gostava da profissão que exercia. ''Ele tem uma verdadeira paixão pelo trabalho, ama o que faz, nunca se queixou do serviço'', declarou.
De acordo com o major Fábio Rincoski, comandante do 18º Batalhão de Polícia Militar de Cornélio Procópio será aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar o caso. O outro soldado, Rodrigo Salvático, foi encaminhado para a sede da PM em Curitiba onde passa por um ''atendimento pós-ocorrência traumática''. ''Ver um companheiro sendo vítima de algo dessa natureza deixa qualquer um abalado'', cometou Rincoski.
Preso em flagrante, o autor do disparo disse à FOLHA que o disparo foi acidental e que só reagiu porque estava apanhando. ''Eu não queria dar este presente de Natal para ninguém'', concluiu.


