São Paulo, 30 (AE) - Uma simples abordagem de dois homens suspeitos num Vectra deixou um policial militar morto e outro ferido. Um terceiro policial ficou ferido quando, ao ajudar no socorro ao colega baleado, bateu num Uno. Os bandidos fugiram no carro da PM, uma Ipanema. Após batê-la num Fusca, os criminosos abandonaram-na e roubaram um Opala. O caso ocorreu ontem à noite em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Desde 1.º de janeiro até hoje, 30 PMs morreram em serviço no Estado, número quase igual ao do ano passado, que registrou 31 mortes.
As vítimas de ontem foram os soldados José Kleiber Sebastião de Sá, de 28 anos, e Orenilson José Santos, de 29. Eles estavam em patrulhamento na Estrada Sadao Takagi, quando avistaram o Vectra com um dos pneus murchos e andando em alta velocidade. Mandaram o motorista parar e ele obedeceu. Acompanhando o caso pelo rádio, dois outros carros da PM foram para o local, mas o motorista de um deles perdeu a direção e bateu num muro. Não houve feridos.
Sá e Santos revistaram os suspeitos e desconfiaram que estivessem embriagados. Quando a Blazer da Força Tática chegou, os PMs disseram que estava tudo sob controle. A Força Tática foi
então, ao local onde havia ocorrido o acidente com o carro da PM. Pouco depois, quando o soldado Santos preenchia o relatório sobre o caso, os bandidos atacaram o soldado Sá e tomaram sua pistola. Com ela, dispararam dois tiros na cabeça do policial, que morreu.
Depois, foram à Ipanema e atiraram cinco vezes em Santos
acertando o rosto, as pernas e o braço direito. "Disseram ao Santos que iam matá-lo porque ele era um gambé", disse o coronel José Roberto Minozzi Nogueira. Gambé é um termo pejorativo usado para designar Pms. Os criminosos apanharam a Ipanema da PM e fugiram. Passaram pelo carro da Força Tática, mas os policiais não perceberam que os bandidos dirigiam o carro. Mesmo atingido por cinco tiros, Santos arrastou-se até um ponto. O motorista de um ônibus levou-o para um hospital no veículo.
No caminho, o ônibus achou um carro da PM, que, ao escoltar o ônibus, bateu num Uno, deixando o soldado Relmo Osmar Agustinho, de 42 anos, ferido. Mais tarde, a PM descobriu que os bandidos bateram a Ipanema num Fusca e a abandonaram na Estrada Riuich Matsumoto. Ali, roubaram um Opala, deixado na Estrada do Alvarenga. A PM está averiguando as informações sobre os suspeitos anotadas pelos policiais baleados e os documentos usados pelos criminosos para saber se são verdadeiros. Até a noite de hoje, ninguém havia sido preso.
O soldado Sá era casado, tinha dois filhos pequenos e oito elogios na ficha pessoal nos cinco anos em que esteve na PM.

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