Abono domina debate na eleição para procurador-geral de Justiça de SP
São Paulo, 28 (AE) - O auxílio-moradia e o malufismo dominaram hoje os debates travados à boca-de-urna no primeiro dia das eleições para procurador-geral de Justiça de São Paulo. Na caça aos votos de 1.592 promotores e procuradores, os quatro candidatos ao cargo de chefe do Ministério Público Estadual (MPE) insistiram em velhas promessas de campanha, defenderam a "valorização econômica" da categoria e esquentaram o ambiente, fazendo revelações sobre o passado dos adversários.
Dois candidatos que avaliam ter apoio de "parcela expressiva" dos promotores - Marino Pazzaglini Filho e Herberto Magalhães da Silveira Júnior - são antigos colaboradores do ex-governador Paulo Maluf (1979-1982).
Marino foi secretário-executivo dos Conselhos Consultivo e Deliberativo da Grande São Paulo, órgãos que davam suporte à Secretaria dos Negócios Metropolitanos do Estado. Depois, no governo José Maria Marin - vice de Maluf, que assumiu o governo entre 1982 e 1983 -, Marino ocupou o cargo de secretário da Desburocratização. Por sua vez, Herberto trabalhou como assessor jurídico da Secretaria dos Transportes.
Preocupados com uma eventual repercussão desfavorável que essa informação pode provocar junto ao governador Mário Covas (PSDB) - que tem prerrogativa constitucional de escolher o novo procurador-geral -, Marino e Herberto apressaram-se em explicar: "Não sou malufista", afirma Marino. "Não tenho e nunca tive nenhuma vinculação política com Maluf; exerci um trabalho técnico."
Herberto foi enfático: "Fui para a secretaria convidado pelo meu colega Gabriel Perez; foi uma experiência administrativa, nunca mais tive uma participação política." O procurador imagina que a divulgação sobre o trabalho dele no governo Maluf tenha sido "um torpedo" enviado pelos opositores que querem esvaziar a candidatura do adversário.
O candidato René Pereira de Carvalho foi fazer boca-de-urna mesmo com o pé direito quebrado. Quando os quatro rivais posaram para fotos, Marino fez uma brincadeira: "Vou aproveitar para chutar o pé do René." Recebeu o troco: "Malufista é assim mesmo, chuta o pé dos outros", emendou Carvalho, autor de polêmica proposta de pagamento do auxílio-moradia para os promotores. Segundo Carvalho, o benefício está previsto na Lei Orgânica do Ministério Público.





