Rio, 29 (AE) - O presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Antenor Nunes Leal, apoiou a decisão do governo de reduzir a importação do trigo da Argentina caso não seja fechado um acordo satisfatório na exportação do açúcar brasileiro para aquele país. "Até que enfim o governo brasileiro está tratando da questão argentina de forma não submissa", comemorou Nunes Leal.
A reação às imposições da Argentina partiu do ministro da Agricultura, Marcus Pratini de Moraes, que declarou na quinta-feira, em Salvador, que o problema do açúcar está emperrando um acordo de integração entre os dois países. Pratini ameaçou elevar a quantidade de trigo importado dos Estados Unidos, em resposta à intransigência da Argentina.
Hoje, segundo Barros Leal, 90% das cerca de 6 milhões de toneladas de trigo importadas pelo Brasil vêm de seu principal parceiro no Mercosul. Por força do acordo comercial, o produto tem isenção tarifária, enquanto o trigo de outras origens tem tarifa de importação de 13%, além de uma taxa de Marinha Mercante em torno de 25%. "Isso corresponde a uma diferença de preço em torno de 30%, dependendo do preço FOB", diz o empresário.
Segundo ele, com a retirada da proteção, que considera absurda, a quantidade de trigo importado da Argentina provavelmente continuaria a mesma, até por causa de vantagens como proximidade e facilidade de transporte, mas o preço cairia bastante. "O Brasil terá uma opção de compra não tão desfavorável", argumenta.

mockup